Quando Cabral surgiu por aqui, em 1500, havia cerca de 180 etnias indígenas vivendo nas nossas terras. Dentre elas, viviam os tupi-guaranis com seu macabro ritual de guerra. Esses índios achavam uma ignonímia um guerreiro morrer de doença ou velhice e ser comido pelos vermes. Muito melhor serem mortos e comidos pelos inimigos; assim, o seu espírito, de alguma forma, se perpetuaria. Tanto comidos como comedores pensavam da mesma forma. Os comedores acreditavam que, ao comerem o inimigo, a bravura do guerreiro derrotado passaria para eles.

Esse pensamento é único na história da humanidade e explica a importância do outro para o brasileiro. A idéia de que o outro me faz bem está na gênese do povo brasileiro.

Mais tarde, no combate aos holandeses no século XVII, surgiu outra noção única na história humana quando brancos europeus – os reinóis -, brancos nascidos aqui, índios e negros se uniram para expulsar o invasor. Surgiu a idéia de que a Pátria são todos, sem castas nem discriminações raciais.

Brasileiros irmanados, sem senhores, sem senzala

E a Senhora dos Prazeres transformando pedra em bala

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Com informações de Jorge Caldeira (A história do Brasil em 101 personagens) e Eduardo Bueno (O Banquete Antropofágico).

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