Falando sobre a formação do povo brasileiro, Jorge Caldeira diz:

“A idéia de que o outro faz bem pra mim – quer dizer, que eu preciso do outro pra ser eu – é o movimento central da formação de um povo feito de muitas culturas.”

Por isso, o povo brasileiro é tão dado, tão hospitaleiro, tão compreensivo. Por isso, o futebol brasileiro é o melhor do mundo – o que é o drible senão a compreensão exata do comportamento do adversário para fazer justamente o que ele não está esperando?

Às vezes menosprezamos esse fato – de sermos os melhores do mundo no esporte mais popular do mundo. Temos material humano suficiente para montar 10 times, entrar em qualquer campeonato mundial e pegar os 10 primeiros lugares. Essa nossa capacidade não pode ser explicada pela saúde do povo, nem pelas condições sanitárias, nem de alimentação. A explicação é uma só: a capacidade de entender o outro.

Falo no presente, mas talvez devesse falar no passado – éramos dados, éramos hospitaleiros, éramos os melhores do mundo no futebol. De fato, muita coisa mudou na sociedade brasileira.

O marco inicial da mudança foi a emenda constitucional de 1977 que instituiu o divórcio. Foi o início da hegemonia gramsciana no Brasil. Segundo Gramsci, os marxistas devem tomar todos os postos de formação de opinião – mídia, educação e arte – de forma que todo o povo chegue a ser comunista sem saber.

Gramsci venceu e, hoje, o outro já não faz bem para mim. Do outro, só quero o dinheiro e as vantagens que ele pode me dar. A solidão tomou conta da sociedade e, com ela, o suicídio. O homicida mata uma pessoa mas o suicida mata todo o gênero humano, escreveu Chesterton. O suicida é um solitário.

Para reverter essa epidemia de suicídios, só temos como saída voltarmos às raízes históricas da nossa formação cristã.

“Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”

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Nota: A frase de Jorge Caldeira está aos 18’25” do vídeo.

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