Ria, leitor, ria muito, vivemos tempos de muita alegria.

Alegre está o senhor Marcelo Odebrecht que ontem deixou a prisão domiciliar (imagine o domicílio dele e você terá uma idéia de quão terrível deve ter sido esse aprisionamento) e passou para o regime semiaberto. Risonho e serelepe, a primeira coisa que fez, evidentemente, foi visitar a sede da sua empresa.

Ria, leitor – essa é a maior! Em nosso país, empresários condenados cumprem alguns anos de pena, pagam algumas multas (ora, todos sabemos que, nos roubos, dificilmente a polícia recupera todo o dinheiro) e, como castigo, são reconduzidos à direção da empresa, quando, isso sim, a primeira coisa que devia acontecer seria justamente o contrário – deveriam ser afastados da atividade criminosa e impedidos de continuarem no comando da entidade que foi a ferramenta usada para o roubo. Imagine um assaltante de banco que, ao deixar a porta da prisão, recebesse de volta o seu pé-de-cabra e as suas bananas de dinamite.

Ria, leitor, ria muito.

Mas Marcelo Odebrecht não é o único risonho. Os irmãos Batista também estão rindo enquanto dirigem a Friboi, como se nada tivesse acontecido. E, com eles, certamente muitos outros de quem não temos notícia pois, afinal, os seus coleguinhas jornalistas fazem de tudo para desinformar o público.

Marcelo Odebrecht está rindo. Ri, decerto, de Sérgio Moro, ri da população brasileira, ri dos nossos legisladores que fazem essas leis sem pé nem cabeça e, muitos deles, estão no bolso da Odebrecht, ri de nossos juízes… como ri o senhor Marcelo Odebrecht.

Riamos nós também, 200 milhões de palhaços desse imenso circo em que se tranformou o nosso país.

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