Numa esquina de São Paulo

Sábado de manhã (bem de manhã), caminho pela Rua da Consolação. Numa esquina, páro esperando a passagem dos carros. Olho pro lado e vejo uma velhinha com um carrinho de feira repleto de garrafas térmicas, pães, bolos e bolachas.

– Aqui ninguém passa fome, hein!? – arrisco.

– Eu saio de manhã, dando café aos moradores de rua… Eu faço o que posso…

Lembrou-me a minha última conversa com meu amigo Dom Luiz Gonzaga Bergonzini:

– Estou tranquilo. Fiz o que estava ao meu alcance.

Pelas ruas do centro de São Paulo, uma velhinha sustenta uma civilização.

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Tá na mão: Pai Nosso (Tihámer Tóth)

Lançamento da Editora Molokai: Pai Nosso, de Tihámer Tóth.

“Toda a noite permaneceu o Senhor, mergulhado no silêncio de fervorosa prece, sozinho, um pouco afastado os seus discípulos, o espírito completamente absorto nos louvores do Pai celeste. Até que, por fim, neste momento em que a manhã desponta, risonha, os apóstolos ousam aproximar-sed’Ele. E, sentindo a atração daquele olhar de Cristo, completamente transfigurado, e a doçura infinita daqueles olhos que brilhavam com luz celestial, um deles suplica fervorosamente: “Senhor, ensina-nos a orar”.

“Acaba de chegar um dos momentos transcendentes da vida de Jesus Cristo, aquele em que vai outorgar à pobre humanidade um dom, cujas emanações, à semelhança das do rádio, nada perderão da sua força até o fim dos tempos. Vai dar ao mundo um compêndio da sua religião, que servirá de guia aos séculos e aos milênios futuros. Vai ensinar aos homens uma oração que, enquanto houver um altar cristão sobre a Terra, nunca deixará de ressoar em lábios humanos, vivificando com força nunca diminuída as almas que buscam a Deus.”

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Louca e brava FEB

Diálogo entre o tenente Emílio Varolli, único oficial da FEB capturado pelos alemães, e o capitão que o interrogou.

– Francamente, vocês brasileiros ou são loucos ou são muito bravos. Nunca vi ninguém avançar sobre metralhadoras e posições bem-defendidas, com tanto desprezo pela vida.

– Capitão, nós cumprimos as ordens recebidas.

– Eu sei disso. Mas a tropa brasileira perdeu no ataque de hoje uma centena de homens, entre mortos e feridos, contra cinco mortos e treze feridos nossos.

– Capitão, os brasileiros não fogem à luta, haja o que houver.

– Vocês são uns verdadeiros diabos. Na minha opinião, depois do soldado alemão, que incontestavelmente é o melhor do mundo, os brasileiros e os russos são os melhores lutadores que já vi.

– Essa é sua opinião, mas não a minha.

Fonte: 1942 – O Brasil e sua guerra quase desconhecida, João Barone.

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Carta a um filho herói

Reprodução da carta de Antonio Martins de Sant’Anna Primo a seu filho, Geraldo Martins Santana, cabo da FEB. A carta, de 28 de outubro de 1944, jamais chegou ao cabo, morto no dia 9 de novembro por estilhaços de morteiro. Antonio e esposa deram à Pátria um filho, e, à Igreja, três padres e duas freiras.

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Montes Claros, 28 de outubro de 1944.

Querido filho Geraldo:

Saudades…

Recebi do Quartel General do Rio de Janeiro, comunicação que fostes incorporado à Força Expedicionária Brasileira.

Não foi para mim nenhuma surpresa, porque o soldado está sempre sob as ordens dos seus superiores e deve acatar essas ordens com todo o respeito.

Fostes incorporado, porque era necessário que a Pátria insultada, respondesse a agressão dos corsários Nazistas que agiram debaixo de espesso nevoeiro, matando os nossos irmãos.

Aqui, em casa, todos receberam com imenso orgulho essa notícia. Filho, jamais surja em teu cérebro o pensamento de um homem covarde. Se firme no cumprimento do dever, principalmente quando a nossa Pátria foi traiçoeiramente atacada pelos vilões de além-mar.

Não importa que o intenso inverno dificulte a nossa marcha ou o sol abrasador faça demorar o avanço, o certo é que precisamos chegar até o fim do nosso itinerário ombro a ombro com as FORÇAS ALIADAS.

Ainda me recordo daquela bela poesia que diz em uma das suas estrofes:

Para a frente que importa a invernada

Temporal, inclemencia de sóis

Quem for fraco, que fique na estrada,

Que a vanguarda é o lugar dos heróis.

Pedimos a Deus para conservar a tua pessoa ilesa das balas assassinas dos Nazistas, porém, se for do agrado do Altíssimo que o teu corpo tombe no campo de batalha, para que muitos outros viva, seja feita a vontade de Deus

O ataque deve ser repelido embora sucumba alguns dos nossos. Que papel faríamos se permanecessemos de mãos cruzadas quando o inimigo comum tentou ultrajar a nossa soberania?

Seremos porventura alguma estátua onde o sangue não circula?

É legal trair a nossa tradição?

Não, isto não.

Dos túmulos de Caxias, do Te. Antonio João, de Camisão e outros mais ouviríamos o grito da dor do insultando dizendo-nos:

Irmãos, hoje mais que nunca, o Brasil precisa vingar os seus filhos.

Levai em resposta à agressão a esses Nazistas o brilho de uma baioneta empunhada para que os nossos sejam vingados.

E, assim, acalmarão as ondas tempestuosas do mar furioso, e a bonança reinará para todos os povos do mundo, que foram vítimas dos sutis ataques do “Eixo”.

Portanto, filho, não queiras ter maus pensamentos e jamais haja em tua pessoa o desespero.

Se também calmo. Porque todos nós temos que morrer um dia, logo, é desnecessário e mesmo indecente o desespero.

Muitos se enganam com a morte.

Ela não causa assombro a ninguém, porém enobrece a muitos. Se for preciso, morre em honra da Pátria e viverás eternamente. A tua lembrança ficará sempre conosco.

Um conselho: Conserve sempre a tua fé em Deus e jamais a deixe seduzir por outrem. Todos nós estamos indo bem graças a Deus.

O que sentimos são saudades tua, mas esperança de que em breve estarás aqui em Montes Claros conosco.

Terminando, pedimos a Deus por tua pessoa e pela honra e glória do Brasil e o cabal êxito da FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA.

Queira aceitar a benção de teu pai e os abraços que teus irmãos, tias, cunhados te mandam.

Teu pai,

ANTONIO MARTINS DE SANT’ANNA PRIMO

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Com informações da Sala de Guerra – 1h54min.

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Geração Coronga

Antigamente se dizia que Deus escreve certo por linhas tortas. Isso era antigamente; hoje, nem sei se posso usar as palavras Deus, certo e torto. Certamente devo estar infringindo alguma regra politicamente correta.

O fato é que, um ano atrás, chegou o coronga arrasando tudo. Os americanos dizem que surgiu na China, os chineses dizem que surgiu nos EUA e eu me pergunto se não teria surgido em Caieiras, fruto tardio das pesquisas de Menguele. Afinal, não é dito e sabido que Hitler está vivo e mora em Osasco?

De onde quer que tenha vindo essa praga, logo foi politizada. Os globalistas mandaram seus cachorros tocar o terror no povo e decretar o lockdown. Foi todo mundo pra casa.

Mas o brasileiro, que não perde uma oportunidade para tentar se dar bem, logo transformou o Trabalho à Distância em Distância do Trabalho. Na intimidade do lar, tratou de dar ao cônjugue a atenção que o estresse do trânsito, do próprio trabalho e da falta de tempo impediam antes do Fique Em Casa. O resultado de tanta intimidade e atenção está aí: por todo lado pipocam barrigas esperando neném.

Não deixa de ser engraçado que, em meio a tantas desgraças trazidas pelo pandemônio, a coluna mestra do globalismo – a redução da natalidade – sofra tamanho golpe. Um verdadeiro tiro no pé.

Seja como for, dou boas-vindas aos coronguinhas. Bem-vindos, coronguinhas, bem-vindos à luta!

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Bella Dodd e Fulton Sheen

Trecho do livro Tesouro em Barro, autobiografia de Fulton J. Sheen.

“Bella Dodd era advogada do partido comunista e tinha uma influência considerável sobre os sindicatos de trabalhadores da cidade de Nova Iorque. Ela estava testemunhando um dia, diante do Comitê de Atividades Antiamericanas, em Washington, e o Senador McGrath de Rhode Island pediu a ela que me fizesse uma visita. “O que ele tem para me oferecer?” O Senador McGrath respondeu: “Ele ensina sobre comunismo na Universidade Católica, ou seja, ele conhece a filosofia de Marx e Lenin”. O senador, então, perguntou se ela tinha medo de me visitar. Ela aceitou o desafio e telefonou-me avisando que estava a caminho.

“Nós nos encontramos em uma pequena sala externa de minha residência e, após a troca de formalidades, observei: “Dra. Dodd, a senhora parece infeliz”. Ela perguntou: “Por que o senhor diz isso?” Respondi: “Oh, eu suponho; de certa forma, nós, padres, somos como os médicos que diagnosticam um paciente olhando para ele”. Quando a conversa chegou a um impasse, sugeri que fôssemos à capela fazer uma prece. Enquanto ajoelhávamos silenciosamente, ela começou a chorar. Ela havia sido tocada pela graça. Mais tarde, eu a catequisei e a recebi na Igreja. Com Marx para trás, ela começou a ensinar direito, primeiro no Texas e depois na Universidade de São João, no Brooklyn.”

Tesouro em Barro – Autobiografia; Fulton J. Sheen, editora Molokai, 2020.

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