Ultrapassagem noturna

Vendo o festival de barbaridades que é o trânsito brasileiro, talvez você pense que sempre foi assim. Vou contar para você como era feita uma ultrapassagem noturna na década de 1960, em que eu cresci.

Meninos, eu vi!

O veículo de trás se aproximava a uma velocidade superior ao veículo da frente e se posicionava atrás dele. O veículo da frente, então, desligava os faróis para que o motorista de trás pudesse ver, na escuridão da noite, o feixe de luz de algum veículo que viesse na direção contrária. O motorista do veículo de trás, por sua vez, desligava também os faróis para completar a escuridão. Pista limpa, começava a ultrapassagem. O veículo da frente ligava o farol alto para que o de trás pudesse ver bem a estrada. Quando o veículo de trás já estava ultrapassando o da frente, era a vez dele ligar o farol alto; o veículo que estava sendo ultrapassado desligava o farol. Tudo isso era feito com o auxílio das setas, equipamento essencial para a comunicação. Como o procedimento demorava alguns segundos, dava tempo para os motoristas, em plena ultrapassagem, desligarem os faróis para garantir que não vinha ninguém na direção contrária – a calma e a escuridão da noite contrastavam com a velocidade dos veículos e o ronco dos motores, transformando uma mera ultrapassagem num episódio de sonho e camaradagem de um Brasil que se perdeu.

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O culpado é a vítima

Você já reparou que, no Brasil, o culpado é a vítima?

Foi assaltado? Ninguém mandou ostentar.

Bateu o carro? Por que não tomou cuidado com a cratera, imprudente?

Está sem dinheiro? Ninguém mandou ser trouxa.

Garfaram o seu celular? Quem mandou usar na rua?

Está desempregado? Por que não prestou concurso, idiota?

Estupro? Ninguém mandou provocar.

Tomou facada? Onde já se viu um político fazer corpo-a-corpo com os eleitores, em demonstrações espontâneas inéditas na política mundial, exposto a alcatéias de lobos solitários insufladas por hordas de esquerdistas amadas por jornalistas defendidas por advogados caríssimos bancados por filantropos anônimos?

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Álcool, bikes e o carro autônomo

O carro autônomo vem aí, a toda velocidade.

O Bom Dia Brasil de hoje, em sua sanha para demonizar o motorista, voltou ao tema da segurança do trânsito em duas reportagens que, juntas, duraram quase 10 minutos. A estratégia é simples: mostrar quão malvado é o motorista e, assim, preparar o caminho para carros seguros, sem esses malvadões. É o admirável carro novo, o totalitarismo dos totalitarismos.

A primeira reportagem atacava os motoristas bebuns e mostrava a importância da fiscalização da Lei Seca – em outras palavras: aumento do poder do governo. Ora, quem não sabe que a mídia é uma das maiores culpadas pelo alcoolismo e pelo comportamento anti-social de uma forma geral por meio de suas notícias mentirosas e por meio da propagação da cultura da revolta? E mais ainda: se a mídia está tão preocupada com a bebedeira, porque aceita fazer propaganda de cerveja ao meio-dia?

A segunda reportagem mostrava uma nova lei federal que destina 15% do  valor arrecadado com multas para ciclovias. Ah, a bibicleta… que maravilha! A resposta verde ao negro mundo dos carros! Acontece que o incentivo ao uso da bicileta se encaixa na estratégia verde globalista – implementar um governo mundial por meio do catrastrofismo ambiental. Respondam o seguintes, caros jornalistas: o problema da locomoção nas grandes cidades só pode ser resolvido por um plano diretor que permita o adensamento populacional para que os trabalhadores morem perto do local de trabalho – exatamente o contrário do que fazem os governantes esquerdistas adorados por vocês, jornalistas. Os filhos dos pobres são jogados cada vez mais para longe, para depois da periferia, e gastam horas no trânsito poluidor.

Resumindo: ambas as reportagens clamavam pelo aumento do poder do governo, o mesmo governo que, em breve, vai nos impedir de dirigir nas ruas.

Mas governos totalitários, estamos cansados de saber, não dão solução nem para o alcoolismo nem para a poluição nem para a vida dos pobres nem para nada. Seremos nós, eu e você, mediante a nossa atuação dentro da nossa esfera de influência – maior ou menor, não importa – quem daremos a solução para os nossos problemas.

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Meu Corpo…

Quando o assunto é aborto, as feministas reivindicam um tipo de reserva de mercado, uma exclusividade, dizendo que aborto só diz respeito à mulher. Meu corpo, minhas regras…

Ah, é?!

Mas… se metade dos fetos – abortistas evitam o uso das palavras bebês, crianças e quaisquer outras que sequer lembrem que o “feto” é um ser humano – é homem?

Mas… se o “feto” só existe porque um homem se uniu a uma mulher?

Além do mais, a lógica embutida nesse argumento permite dizer que a mulher não pode mandar o homem ficar quieto porque ela não faz parte do grupo masculino e, portanto, não pode opinar a respeito.

Um tipo de loop infinito ou raciocínio circular cujo fim é a loucura.

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A mídia pavimenta o caminho para o carro autônomo

O carro autonômo vem aí, e a toda velocidade. A mídia está bombardeando os telespectadores com reportagens que mostram quão vilões são os motoristas.

Dias atrás, o Bom Dia Brasil, da Globo, mostrou uma reportagem chamada “ONU recomenda redução de limite de velocidade em áreas urbanas”; subtítulo: “O objetivo é diminuir o risco de acidentes graves no trânsito. Estudos apontam que cada km/h faz diferença no tipo de lesão”. A reportagem tinha cerca de 10 minutos mas a emissora disponibilizou um vídeo de apenas 2 minutos.

A matéria pode ser analisada sob os aspectos da segurança do trânsito e da manipulação de informações. Para fazer qualquer uma das análises, seria necessário ter em mãos os “estudos da ONU” citados pelos jornalistas.

Procurei pelos tais estudos e não encontrei. Por isso, peço a ajuda dos meus três leitores para encontrar esse material oculto.

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As Mulheres e Bolsonaro

Fato 1: as mulheres são maioria do eleitorado e estão indecisas.

Fato 2: o estamento burocrático está morrendo de medo de Bolsonaro.

Juntando isso com aquilo, o estamento burocrático resolveu jogar a mulherada contra Bolsonaro. Está no ar uma campanha midiática intensa e sutil promovendo o ódio contra o homem – o homem em geral, não o homem Bolsonaro. Reportagens sobre reportagens mostram como o homem é agressivo, como bate em mulher, como são assassinos, estupradores e violentos. Tudo para criar uma atmosfera contrária a demonstrações de virilidade e levar as eleitoras a buscarem candidatas no lugar de candidatos.

Atento a isso, boa parte dos partidos resolveu escolher mulheres como vices.

A campanha é intensa e sutil. O alvo é Bolsonaro. Não caia nessa.

Nota: a violência masculina contra a mulher é fruto de uma derivação da boa e velha luta de classes – patrão versus empregado -; no caso, homem contra mulher. A revolução sexual tinha como objetivo exatamente isso: amor livre, filhos sem pai, fim da família divórcio, aborto, confusões de toda a espécie. Um caldo cultural cujo resultado só podia ser a violência.

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Catecismo Argentino

No filme italiano Profumo di Donna (1974), o Capitão Fausto (Vittorio Gassman), cego e maneta, precisa ir ao banheiro e pede ajuda a uma freira holandesa para lhe abrir a braguilha:

– A uma freira italiana eu não me atreveria a pedir isso, mas vocês, na Holanda, têm uma igreja tão moderna…

De fato, da Holanda dessa época veio o famoso Catecismo Holandês, obra que ajudou a construção da teologia da libertação. Era obra de referência nos seminários brasileiros naqueles tempos. Eu estava lá, no Seminário Redentorista Santo Afonso, em Aparecida, e testemunhei o estrago holandês.

Meninos, eu vi!

Vi o Catecismo Holandês e agora vejo o Catecismo Argentino, obra de Bergoglio que, com uma canetada, proclama a morte da pena de morte. Como o Holandês, o Argentino fará – já está fazendo – estragos sem conta numa Igreja cambaleante.

A Igreja cambeleia mas não cai, porque é o Corpo Místico de Cristo, Deus Incarnado. O Catecismo Argentino passará, assim como passou o Holandês, derrubando os fracos e fortalecendo os fortes.

Passou também, infelizmente, o gênio de Gassman, que hoje poderia dizer:

– Vocês, na Argentina, têm uma igreja tão moderna…

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Alexandre Frota em Sorocaba – uma lição de política

Alexandre Frota esteve ontem, dia 2 de agosto, na Câmara de Vereadores de Sorocaba para promover o livro A Luz, de sua autoria, que relata a sua experiência no mundo das drogas.

Durante o discurso, foi interrompido por uma jovem que o hostilizou. Com a maior presença de espírito, Frota bateu boca com a moça. Manteve a calma e, com voz firme e professoral, rebateu as críticas, não dando espaço e falando ao mesmo tempo que ela.

Após o discurso, foi a vez de uma vereadora e um vereador o hostilizarem.

Mais uma vez, Frota não deu espaço nem se descontrolou. Aliás, quem se descontrolou foi a vereadora, que logo perdeu a briga e saiu de cena. A cada xingamento, Frota rebatia com outro. A cada ameaça física, Frota demonstrava que topava a parada. Chegou até usar de ironia quando o vereador disse que conhecia o passado sujo de Frota. “Eu não sabia que o senhor era meu fã.” respondeu Frota.

E, para mostrar que não arredaria pé, resumiu: “Comigo, não! Vocês estão mal acostumados.”

Frota mostrou como se faz: ocupou o espaço e quem teve que sair foram os esquerdistas. Uma verdadeira aula de luta política.

Como escreveu Edson Camargo dias atrás, citando David Horowitz: “Política é briga de rua”.

Clique aqui para ver o bate-boca de Frota com a esquerdalha.

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A morte do homem bom, a morte do homem mau

Quem entra na histórica igreja de São Gonçalo, no centro de São Paulo, se depara com um hall de madeira com uma porta à esquerda e outra à direita. Localizados bem em cima delas, há dois discretos vitrais que, pelo tamanho e pela posição, passam quase que despercebidos ao visitante menos atento.

Trata-se de dois vitrais representando a morte – a morte do homem bom e a morte do homem mau.

O homem bom está no leito tendo à sua cabeceira um médico próximo a uma poltrona. Aos pés da cama, está a sua amada e chorosa esposa e os seus não menos amados nem menos chorosos filhos. Um sacerdote o assiste no transe. Um anjo armado com uma espada afugenta os demônios. Outro anjo insta o homem a olhar para o alto céu, de onde a Santíssima Trindade envia sua luz na direção do moribundo. O homem segura em uma das mãos um terço e, na outra, um crucifixo, que está levando aos lábios para beijar. O moribundo traz no semblante uma expressão de paz. Numa mesinha, água benta é um livro aberto.

O homem mau, por sua vez, está angustiado. A mão direita faz um gesto de recusa para um sacerdote, como que simbolizando a impenitência. A mão esquerda tenta alcançar um pequeno quadro que mostra uma mulher, provavelmente a sua amante, já que a esposa chora ajoelhada ao pé da cama. A tentativa é inútil, uma vez que um sarcástico demônio segura o quadro, mantendo-o fora do alcance do moribundo. Aos pés da cama, um víbora toma conta de um saco de dinheiro. Um demônio puxa o homem pelos pés na direção do inferno, onde, sentado em seu trono, o capeta em pessoa aguarda sorridente. Um anjo esconde o rosto para não ver o terrível destino do infeliz.

Se você é católico, vale a pena visitar a igreja, ver os vitrais e meditar sobre a morte. Se você é apenas um curioso ocioso, mesmo assim vale a pena visitar a igreja para ver os maravilhosos e pouco conhecidos vitrais. Dizem que o inferno está cheio de curiosos, coisa de que duvido muito, já que nem todas as curiosidades são ruins.

Um curioso, uma vez, subiu numa árvore porque queria ver passar Jesus. Era cobrador de impostos, não um simples cobrador, mas muito pior, era o chefe dos cobradores. Um tipo de gente odiada e desprezada. Subiu na árvore porque era “de baixa estatura”, diz a Bíblia – era baixinho, em linguagem de pobre. Um homem rico e asqueroso, trepado numa árvore, foi decerto objeto dos mais abjetos impropérios. Eu mesmo, se estivesse lá, teria lhe brindado com os palavrões mais cabeludos ao alcance; você, não?

O fato é que o curioso baixinho tomou o maior susto da vida quando viu Jesus se aproximar sorrindo, achando graça da inusitada situação.

– Zaqueu, desce despressa porque hoje vou me hospedar em sua casa.

Alguns curiosos são bem recompensados. Vá lá na igreja de São Gonçalo matar a curiosidade. Quem sabe Deus não te recompensa?

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A uma filha ausente

Hoje minha filha se foi. Com o marido, foi morar num país distante e se unir aos incontáveis compatriotas para quem o Brasil diuturnamente dá as costas.

Brain drain é o nome que os gringos dão à evasão de cérebros da qual sofre o nosso país. As melhores pessoas não encontram no Brasil um ambiente decente onde as idéias possam florescer. Melhor dizendo, num país de mais de 60 mil homicídios por ano em números oficiais – portanto, deve ser bem mais -, estar vivo já é um privilégio.

O país do homicídio, do analfabetismo, das drogas, do suicídio e dos ladrões não pode mesmo dar morada para pessoas de bem.

O país que já deu Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa, Dorival Caymmi, Villa-Lobos e mais uma penca de gênios cujos nomes declino por falta de espaço, viu chegar, a partir da década de 1960, a revolução sexual, a pílula, o aborto, o divórcio, o gramcismo e, pior de tudo, sofreu, mais do que nenhum outro país, as consequências do maldito Pacto de Metz, que pautou o Concílio Vaticano II e pavimentou o terreno para a teologia da libertação.

Mais do que ninguém, o país do jeitinho e do homem cordial, justamente por ser o país das meias medidas e das aparências, sofreu os efeitos da destruição do Cristianismo e se tornou o país do deus-dinheiro, onde as pessoas já não se olham vendo irmãos, mas cifrões.

Agora, minha filha se foi. Só resta a oração de um pai.

Deus te acompanhe, filha. Leve com você a alegria de nossa pátria e de nossa mãe, Maria.

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