75 anos de um testemunho da verdade

Tradução do artigo Witness To Truth At 75, de Robert Royal, publicado no site The Catholic Thing.

Cada geração acredita que está vivendo uma época diferente das outras. A nossa realmente está. Estamos testemunhando a morte da nossa civilização e – como alguém bem desperto sendo operado do cérebro – estamos conscientes do que está acontecendo. Ou pelo menos alguns de nós. Estamos sofrendo – dentre outras coisas – de amenésia coletiva. E também de rebeldia juvenil, por pessoas de todas as idades, contra o que se acredita ser a “nossa civilização”. Mas o maior problema, de longe, é que, para a maior parte das pessoas, as nossas tradições básicas desapareceram do horizonte. Elss não vêem que já existiu algo além do que eles conhecem. E temos menos e menos testemunhas da verdade.

Hoje é o 75º aniversário da morte de uma mulher a quem São João Paulo II chamou de “uma mártir da verdade”, Edith Stein, uma filósofa brilhante, uma judia convertida ao Catolicismo, aprisionada pela perseguição nazista aos judeus e à Igreja e morta em Auschwitz.

É apenas um exemplo da maldade daqueles dias o fato de que ela e sua irmã Rosa tenham sido presas pela Gestapo em seu convento carmelita na Holanda, para onde tinham fugido por medida de segurança porque os bispos holandeses haviam, doze dias antes, publicado uma carta pastoral denunciando o “racismo” nazista. Como retaliação, as autoridades nazistas prenderam judeus convertidos ao Catolicismo e os enviaram às câmaras de gás.

Fiquei pela primeira vez interessado em Edith Stein quando escrevi The Catholic Martyrs of the Twentieth Century. Ela foi canonizada em 1998; surgiram controvérsias sobre se ela devia ser chamada de mártir uma vez que não fôra morta in odium fidei, argumentaram alguns, mas porque era judia. Para alguns críticos, também parecia que São João Paulo II estava tentando se apropriar de uma parte do Holocausto para favorecer os católicos.

Na Polônia, onde os nazistas mataram milhões de não-judeus, isso é ainda uma dolorosa controvérsia. Mas a explicação oficial do Vaticano – uma típica explicação do que São João Paulo II chamava de “novos mártires” – era a de que inúmeros fatores se entrelaçavam para tornar “mártir” o termo certo para Edith.

Além da declaração dos bispos holandeses do ensinamento católico sobre “raça”, houve pelo menos três fatores da vida de Edith Stein que podiam ser lidos como uma disposição para aceitar o martírio:

  • Ela se recusou a se esconder já que os holandeses eram eles próprios muitas vezes heróicos na resistência ao nazismo. (Uma muher católica, Miep Gies, por exemplo, ficou famosa por ter ajudado a esconder Anne Frank e a sua família quando essa ajuda, se descoberta, significava a morte.)
  • O convento carmelita que tivesse escondido Edith (já com o nome de Irmã Benedita da Cruz) teria sido objeto de represálias por abrigá-la.
  • E, o mais importante: ela sabia, como uma judia alemã assimilada, que os católicos na Alemanha eram frequentemente acusados de mentir e ela desejada se manter totalmente leal à verdade do que ela era – e no que ela acreditava.

Assim, São João Paulo II estava certo quando declarou em sua canonização: “Uma jovem mulher em busca da verdade tornou-se santa e mártir por meio dos trabalhos da divina graça… Agora, ao lado de Teresa d’Ávila e Teresa de Lisieux, outra Teresa toma o seu lugar dentre a morada de santos que prestam honra à Ordem Carmelita.”

Mas há um outro lado de Santa Teresa Benedita da Cruz que merece ser lembrado. Eu mesmo não sabia muito sobre isso até ler o seu trabalho para o meu livro A Deeper Vision: The Catholic Intellectual Tradition in the 20th Century.

Dizer que ela era uma filósofa talentosa é uma aproximação grosseira. Criança incomumente brilhante, entrou para a universidade para estudar psicologia, pensando que isso a levaria a conhecer os seres humanos. Mas ficou desapontada pela abordagem redutivamente “científica” da psicologia acadêmica.

Ela queria, como lembrou ao mundo São João Paulo II, a verdade. E isso a levou a estudar com Edmund Husserl, o pai da fenomenologia, movimento do século XX que também cativou o jovem Karol Wojtyla. Ela se tornou assistente de Husserl e organizou os seus escritos dispersos transformando-os em importantes livros. Martin Heidegger – provavelmente o maior filósofo alemão do século XX – a sucedeu nesse trabalho.

A fenomenologia é uma complicação, parece difícil, e pode ser mesmo. Mas a sua maior contribuição foi retornar as coisas humanas ao mundo do pensamento. Após o Cogito ergo sum de Descartes, os filósofos frequentemente pareciam presos sobre como o mundo “exterior” podia entrar nas nossas mentes. Para a fenomenologia, o problema não existia. Como declarou o grande fenomenologista americano, Padre Robert Sokolwski, a fenomenologia diz que as coisas no mundo têm a capacidade de se “revelar” e as nossas mentes são os “dativos de revelação”, receptores por sua natureza de tal revelação.

Isso pode soar como a abstração teutônica usual – bem distante das vidas que vivemos. Na realidade, significa que todas as coisas no mundo da vida diária que tomamos como constituição da existência humana tornam-se assim matéria respeitável para a filosofia novamente. A religião é uma dessas coisas e Husserl certa vez brincou que tantos dos seus alunos estavam se tornando cristãos que ele devia ser nomeado Padre da Igreja. Ele mesmo acabou por se tornar cristão.

O trabalho da jovem Edith Stein nesse campo é admirável. Ela escreve, de forma interessante, sobre “empatia”, por exemplo, algo que, observa ela, encontramos apenas nos seres humanos mas quase nunca foi percebido em filosofia. Ela também lançou algumas críticas sérias e inovadoras sobre o altamente influente Ser e Tempo de Heidegger, observando que, para toda a sua brilhante análise, ele funciona como se nós fôssemos seres sem corpos.

Mas, após toda essa preparação filosófica, ela estava hospedada na casa de uma amiga uma noite e encontrou o livro Autobiografia de Teresa d’Ávila. Ela levou o livro para cama e o leu inteiro até o amanhecer, e disse a famosa frase: “A verdade está aqui”.

Edith se submeteu à preparação para o Batismo – uma formalidade pois o padre que a batizou disse que ela já sabia tudo o que era necessário. Adotou a espiritualidade e um modo de vida carmelita e em 1933 entrou para um convento em Colônia. Em menos de dez anos, o nazismo colocou um fim àquela vocação.

É, assim, uma testemunha viva da fé e da razão que permaneceu fiel até o fim e que garante a memória de hoje.

*

Roberto Royal é editor do The Catholic Thing e presidente do Faith & Reason Institute em Washington, D.C. O seu mais recente livro, A Deeper Vision: The Catholic Intellectual Tradition in the Twentieth Century foi publicado pela Ignatius Press. O livro The God That Did Not Fail: How Religion Built and Sustains the West já está disponível em brochura no Encounter Books. No Brasil, teve traduzido o livro Os Mártires Católicos do Séxulo XX (esgotado).

***

Apelidos da Lava Jato

Eis alguns apelidos de políticos que recebiam grana da Odebrecht:

Bicuíra, Bitelo, Manso, Boca-Mole, Casa-de-Doido, Buzu, Decrépito, Dentada, Desesperado, Ema, Esquálido,Inferno, Jujuba, Missa, Nervosinho, Patati, Rasputinzinho, Roxinho, Soneca, Todo Feio.

A lista é imensa, como imensa é a ladroagem em nosso país.

Os apelidos dados aos políticos mereceriam uma análise sociológica de alguém do porte de um Gilberto Freyre para lançar luz sobre a criatividade cara-de-pau do brasileiro. Na falta do gênio, vamos nos divertindo por conta própria – rir para não chorar, como diz o ditado.

Evidentemente, não podiam faltar na lista: Feia, Gordo e Cunhado; caso contrário, não seria brasileira.

***

A incrível história das três criancinhas que fugiram da escola

— Isso aqui tá muito chato. Vamos pra minha casa ver desenho.

Quem disse isso foi Mariazinha, de 3 anos de idade. Disse isso a Joãozinho e Zezinho, seus coleguinhas de escola, menores do que ela. Haviam sido deixados em sossego e, ante a fraca vigilância, saíram da sala, percorreram um corredor até o pátio, abriram o portão que estava sem guarda e sem chave e ganharam a rua, onde o seus anjos-da-guarda as protegeram dos carros.

Logo estavam no prédio de Mariazinha. Os inocentes porteiros, achando muita graça naquela expedição-mirim, a ajudaram a apertar o botão do andar dela. Quem tomou o maior susto foi Diocrécia, a empregada.

— Dô, você pode fazer pipoca pra nós? perguntou Mariazinha enquanto liderava a turminha rumo à tv.

Mariazinha ligou a tv. Teve que aumentar o volume porque a empregada, ao telefone, se esguelava gritando com a patroa.

Aqui entre nós, esse episódio revela o que é a escola moderna.

Certo estava Mariazinha: melhor se distrair com os amigos comendo pipoca.

***

Zé Dirceu – Ou: o cérebro por trás do golpe

Às vezes me sinto esquisitão. É quando vejo coisas que acho que só eu estou vendo. Por exemplo, o papel de Zé Dirceu no incansável empenho da Rede Mongo para tirar Temer e trazer de volta alguém que barre a Lava-Mongos – Lula, quem sabe?

Recordar é viver; vamos aos fatos.

No início de maio, por razões misteriosas, soltaram o Zé Dirceu. No rigor do termo, mandaram para prisão domiciliar. Essa é boa! Prisão nos domicílios em que esses bandidões vivem, até eu queria. Domicílios nos quais a maior parte do povo brasileiro jamais vai pôr o pé-rapado.

Dias depois, Lula foi ao beija-mão em Curitiba e viu a capa e a coisa pretas.

Era hora de agir e Zé Dirceu solto provou que não é chefe por acaso.

Poucos dias depois do depoimento de Lula a Sérgio Moro, o jornal O Mongo publicou uma denúncia-bomba: Joesley Friboi safadamente gravara Temer numa conversa comprometedora provando que o presidente agia para barrar a Lava-Mongos. A denúncia, mais tarde, se mostrou falsa. Foi o início de uma campanha massiva para derrubar Temer. Essa campanha não diminuiu após a votação da Câmara dos Deputados que barrou a denúncia contra o presidente da república; ao contrário, recrudesceu. A Rede Mongo deve. Por isso, está desesperada.

Observe a sequência: Zé Dirceu é solto, Lula vê a polícia na esquina e a Rede Mongo lança o golpe contra Temer.

Zé Dirceu solto é o principal obstáculo à prisão de Lula. Lula é o garoto-propaganda; Zé Dirceu é o cérebro. Ambos são fãs dos açougueiros do Caribe, de quem copiaram esse modelo de dupla liderança. Leia o que diz Ion Mihai Pacepa sobre Raul Castro.

Em abril de 1971 eu visitei Cuba como membro de uma delegação do governo romeno para a celebração dos dez anos da vitória de Fidel Castro na Baía dos Porcos. Alguns dias depois da cerimônia, Raul Castro me convidou para ir pescar no mar em seu barco, junto com Sergio del Valle. O outro convidado era um civil soviético que se apresentou como Aleksandr Alekseyev. “Aquele é Shitov”, sussurrou del Valle. “Agora, ele é conselheiro de Allende”. (O marxista Salvador Allende havia sido eleito presidente do Chile no mês de novembro do ano anterior.) Lá, no barco, ficou claro para mim – mais claro do que nunca – que era Raul, não Fidel, quem empunhava as rédeas da diligência da revolução cubana.

Em 1972 eu preparei uma visita oficial de Ceausescu a Havana, e, durante ela, também fui o seu braço direito. Fidel era o testa de ferro, Raul o ajudante geral. A primeira dama cubana não era a esposa de Fidel, mas a de Raul.

A maior prova de que Pacepa está certo é que nada mudou na Ilha com a morte de Fidel.

Lula é o testa de ferro, Zé Dirceu é o cérebro.

Zé Dirceu esteve em Cuba durante o regime militar brasileiro. Recebeu treinamento e entrou para o serviço secreto cubano. Dele, só se sai de duas formas: ou aposentado ou morto (cf. Olavo de Carvalho). Como não se aposentou, o camarada Daniel segue alinhado com Raul Castro, agindo contra os interesses do povo brasileiro e a favor do comunismo internacional.

Lula e Fidel são tidos como fundadores do Foro de São Paulo, “a mais perigosa organização revolucionária das Américas”. Mas nessa tarefa não estiveram sozinhos; os outros co-fundadores são Raul Castro e Zé Dirceu. (Outra pessoa que também teve papel importante no FSP foi Marco Aurélio Garcia. Mas MAG já partiu para se encontrar com Fidel no inferno.) Todos psicopatas, evidentemente.

Eis como vejo a atual situação da Mongolândia: Zé Dirceu solto é o principal perigo para o Brasil. Mas parece que só eu estou vendo dessa forma e por isso às vezes me sinto meio esquisitão.

Meio mongo.

***

Mulher não paga

Fato 1 – Recentemente, o Poder Judiciário determinou que homens e mulheres paguem o mesmo valor de entrada em baladas. Aquela velha tática de “mulher não paga” ou de preço reduzido está proibida.

Fato 2 – A partir de hoje, quem quiser ter um carro blindado vai ter que obter a autorização das forças armadas. A mesma burocracia de quem quer ter uma arma.

Esses dois fatos têm em comum o aumento do poder do Estado e a diminuição da liberdade dos cidadãos. O governo nos vê como crianças incapazes de cuidar de nós mesmos. Em outras palavras: somos todos mongas, animais incapazes de raciocinar, e os iluminados burocratas são os sabichões que sabem o que é bom para nós.

Logo logo teremos não apenas que pedir autorização para comprar papel higiênico mas também teremos que avisar que estamos indo ao banheiro e depois gritar:

– Mãe, já acabei!

Mamãe-governo irá limpar a sua bunda, sua Monga.

***

Parabéns a você: aniversário de “Brasil – País do Futuro”

O clássico livro de Stefan Zweig foi lançado no início de agosto de 1941, com prefácio de Afrânio Peixoto. Zweig era escritor mundialmente consagrado e a obra foi lançada quase simultaneamente em português (Brasil e Portugal), castelhano, francês, inglês, alemão e sueco – uma proeza para a época.

Zweig esteve pela primeira vez no Brasil em 1936, de passagem para a Argentina. O interesse do austríaco pela América do Sul foi despertado pelo livro Meditações Sul-Americanas, do filósofo alemão Hermann von Keyserling. Sorte nossa.

Para comemorar o aniversário de Brasil – País do Futuro, nada melhor que (re)lê-lo..

***

I Fórum Nacional da Direita

“O I Fórum Nacional da Direita realizado nesse último sábado na capital paulista superou todas as expectativas. O encontro reuniu centenas de participantes de diferentes estados do país, e contou com a participação cerca de vinte palestrantes e debatedores que espelharam, em linhas gerais, o conjunto da visões e das posições políticas da direita conservadora e liberal brasileira.”

Não deixe de ler – e ver – a matéria completa no Crítica Nacional.

***