Anoche cuando dormía

Anoche cuando dormía

soñé, ¡bendita ilusión!,

que una fontana fluía

dentro de mi corazón.

Di, ¿por quê acequia escondida,

agua, vienes hasta mí,

manantial de nueva vida

de onde nunca bebí?

Anoche cuando dormía

soñé, ¡bendita ilusión!,

que una colmena tenía

dentro de mi corazón;

y las doradas abejas

iban fabricando en él,

con las amarguras viejas

blanca cera y dulce miel.

Anoche cuando dormía,

soñé, ¡bendita ilusión!,

que un ardiente sol lucía

dentro de mi corazón;

Era ardiente porque daba

calores de rojo hogar,

y era sol porque alumbraba

y porque hacía llorar.

Anoche cuando dormía

soñé, ¡bendita ilusión!,

que era Dios lo que tenía

dentro de mi corazón.

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Antonio Machado (Sevilla, 1875 – Colliure, 1939) fue el más joven poeta de la Generación de 98. Su vida en Madrid y París le llevó a formar parte del círculo de destacados literatos como Rubén Darío, Miguel de Unamuno, Ramón María del Valle-Inclán o Juan Ramón Jiménez. Miembro de la Real Academia Española, se exilió en el pueblo francés de Colliure tras estallar la guerra civil española. Allí murió y allí está su tumba, símbolo del exilio republicano.

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Poesia e biografia retiradas do livro Anoche cuando dormía, Antonio Machado, Penguin Random House Grupo Editorial (Espanha).

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Delmiro Gouveia

Delmiro Augusto da Cruz Gouveia nasceu no dia 5 de junho de 1863 em Ipu (Ceará). De origem pobre, enriqueceu com o comércio de peles de cabra, a ponto de ser conhecido como o Rei das Peles. Diversificou a sua atuação e urbanizou o bairro Derby, em Recife, inaugurando no dia 7 de setembro de 1899 o Mercado Coelho Cintra, sem similar no Brasil – um tipo de shopping center popular. O mercado foi destruído por um incêndio criminoso em 2 de janeiro de 1900 e Delmiro Gouveia foi preso por agredir Rosa e Silva, vice-presidente da República a quem Delmiro Gouveia imputava o delito.

Em 1902, Delmiro Gouveia fugiu com uma menor de idade mas a jovem foi resgatada pela polícia poucos dias depois. Delmiro Gouveia escapou para Alagoas. Lá, se estabelece no município de Pedra (hoje Delmiro Gouveia) próximo à cachoeira de Paulo Afonso. Recupera-se financeiramente e constrói um império. Em 1913, inaugura a primeira usina hidrelétrica de Paulo Afonso.

Delmiro Gouveia morreu assassinado no dia 10 de outubro de 1917, aos 54 anos de idade.

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Diálogo entre a imperatriz Criança e Atreiú

[Trecho do livro A História Sem Fim, de Michael Ende]

– Então também é verdade – quis saber Atreiú – aquilo que Gmork, o lobisomem, disse das criaturas aniquiladas de Fantasia? Que se transformam em mentiras no mundo dos filhos dos homens?

– Sim, é verdade – replicou a imperatriz Criança, e seus olhos dourados escureceram – Todas as mentiras foram outrora criaturas de Fantasia. São da mesma natureza… mas deformaram-se e perderam sua verdadeira essência. Porém, aquilo que Gmork lhe disse era apenas uma semiverdade, como era de esperar de uma semicriatura. Há dois caminhos para se passar pelas fronteiras entre Fantasia e o mundo dos homens, um certo e outro errado. Quando os seres de Fantasia se veem arrastados para o mundo dos homens desta maneira horrível, seguem o caminho errado. Mas quando os filhos dos homens vêm até nosso mundo, tomam o caminho certo. Todos os que nos vêm visitar aprendem coisas que só aqui podem apreender e regressam modificados ao seu mundo. Seus olhos se abrem, pois eles se veem em seu verdadeiro aspecto. Por isso, também podem olhar com novos olhos seu próprio mundo e os outros homens. Descobrem de repente maravilhas e segredos onde outrora só viam a monotonia do cotidiano. Era por isso que eles gostavam de vir até nós. E quanto mais rico e florescente se tornava o nosso mundo graças às visitas deles, menos mentiras havia em seu mundo, e mais perfeito também era esse mundo para eles. Tal como nossos dois mundos podem se destruir mutuamente, também podem se salvar.

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A História Sem Fim, de Michael Ende com ilustrações de Eva Schöffmann-Davidov.

Editora Martins Fontes, selo Martins, 2020.

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Causa Mortis do Olavo

“Boa noite, meus amigos; estamos aqui de novo. Eu vou ter que ocupar uma boa parte deste programa com um assunto verdadeiramente fecal.”

Assim Olavo iniciou um dos episódios do TrueOutSpeak e assim eu inicio este post.

Tão logo Olavo morreu, começou uma discussão sobre a causa da sua morte.

Isso só mostra uma coisa: o baixíssimo nível moral dos seus detratores e o baixíssimo nível moral dos que embarcaram nessa discussão.

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Antes de Olavo, depois de Olavo

Os portugas chegaram aqui em 1500, trouxeram a cruz e constituíram a nação brasileira. Antes deles, não se podia falar propriamente em Brasil.

De lá para cá, viemos, como diz a música:

Venho pros caminhos, venho trupicando; chifrando os barranco, venho cambeteando…

Os mais velhos de nós trupicamos em Getúlio Vargas; outros, no Regime Militar; outros, no que, por falta de nome pior, se chama Nova República. Para piorar, no meio dessa confusão, ainda metemos o chifre no Concílio Vaticano II, regido sob o maldito Pacto de Metz.

Vínhamos cambeteando e, às explicações que nos eram oferecidas, sentíamos que, sim, eram verdade, mas não verdade completa – meia verdade… ou meia mentira.

Até que, com o surgimento da internet, descobrimos um showman inusitado – um filósofo, escritor, jornalista e professor – que, com sinceridade na voz e falando a língua do povo, derrubava todas as mentiras de pensamento anti-cristão acumuladas por décadas. Olavo soube, como ninguém, usar os meios tecnológicos que surgiam e assim fazer aflorar o pensamento cristão existente na quase totalidade dos brasileiros. Esse misto de Alborghetti e Sócrates enfrentou, sozinho, munido apenas de sua força moral, toda a Intelligentsia comunista a soldo dos globalistas.

Para usar uma expressão do padre Paulo Ricardo, podemos dizer que o pensamento brasileiro tem duas fases: antes de Olavo e depois dele.

Agora, entramos na fase pós-Olavo. A batalha é dura e mal começou.

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