Do livro 1942 – O Brasil e sua guerra quase desconhecida, de João Barone.

“Mais um achado interessante emergiu faz pouco tempo desde as névoas da Segunda Guerra: uma exibição de obras de arte moderna de renomados brasileiros foi realizada em Londres, enquanto as bombas V-1 e V-2 caíam sobre a cidade, ainda em novembro de 1944. Planejada pelo governo brasileiro, a exposição teve apoio fundamental do chanceler Oswaldo Aranha, que compareceu em sua abertura, mesmo depois de entregar o cargo em decorrência das “intrigas palacianas” do gabinete de Vargas. As obras chegaram a Londres de navio, o que prova que a ameaça dos U-boos havia diminuído muito. (…) Alguns dos maiores e mais consagrados nomes das artes nacionais doaram suas obras para a exposição, como Candido Portinari, Lasar Segall, Roberto Burle Max, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Iberê Camargo, Djanira, entre outros. As 168 pinturas e desenhos dos 70 artistas foram expostos na Academia Real de Artes e percorreram cidades inglesas num tour de 15 dias. Os nazistas execravam as obras modernistas, que rotulavam pejorativamente como “arte degenerada”. Já os ingleses, que também tinham um certo conservadorismo artístico, acabaram por abrir espaço para aqueles ousados artistas brasileiros, ainda mais com o prospecto de receber integralmente o valor das obras vendidas, que seria revertido em prol da RAF – Força Aérea Real. A modesta quantia de 800 libras – obtida com a vendaagem dos quadros brasileiros – teve um valor simbólico muito maior na luta pela liberdade artística, mesmo se renderam algumas poucas bombas lançadas sobre as cabeças dos famigerados nazistas, reconhecidos como ladrões contumazes de obras de arte.”

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