Meu nome é José, José da Silva. Pode me chamar de Zé, como todo mundo. No começo achava ruim mas agora já estou acostumado. Percebi que quanto mais eu teimava, pior era. Gostaria mesmo que me chamassem de J, acho muito chique. Tentei emplacar mas não deu certo.

Seja como for, pior que Zé é ser um joão-ninguém, desses pobres que nascem, vivem e morrem pra além da periferia, sem pai nem estudo.

Dane-se!

O fato é que quando começou esse pandemônio perdi meu bico. O restaurante fechou e vivi de favor uns tempos – se é que isso é viver – até aparecer esse serviço dias atraś quando o restaurante reabriu. Me chamaram de volta pra esse novo trampo.

Rapaz, nunca me diverti tanto.

Agora, fico parado na porta esperando chegar alguém. Quando chega, vou logo metendo o aparelho na testa do infeliz. É divertido ver os barrigudos se submetendo a mim como se recebessem um óleo da Quarta-feira de Cinzas. Formam fila e me obedecem, o que eu acho muito divertido já que ninguém nunca me obedeceu.

Tem uns poucos que mostram medo mas a maioria acha bonito, até agradece. Só uma vez apareceu um doido, quis discutir comigo.

Acho que esse maluco não vê tv.

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