De desgraça em desgraça, a quarentena vai mostrando a sua perniciosidade.

O número de motociclistas mortos nos meses de março e abril deste ano na cidade de São Paulo aumentou quase 50% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 56 neste ano contra 38 no ano passado.

A quarentena decretada por Nosso Guia desempregou muita gente; esses desempregados migraram para o ramo de motoentrega e, com sua vasta inexperiência no ramo, decerto estão entre os mortos. Essa burra quarentena, ao mesmo tempo, fez crescer a demanda pelo serviço, o que aumentou o número de motoentregadores nas ruas – mais motos, mais acidentes -, e a pressão por produtividade (já que eles ganham por entrega), gerando pressa no trânsito.

A pressa e sua irmão antípoda – a desatenção – são as maiores amigas dos acidentes.

O fato, entretanto, não deixa de ser surpreendente, já que quase não houve trânsito de carros em São Paulo no período – os motociclistas tinham as vias livres, sem congestionamentos – em outras palavras, os motociclistas estão se matando sozinhos.

A solução? A mesma de sempre: educação. Educação para o código de trânsito, educação para as inexoráveis leis da física, educação de berço (levada a cabo pelas famílias) e educação religiosa (a base de tudo).

Mas, falar em religião para nossos burros guias quarenteneiros é o mesmo que declamar Camões para toupeiras.

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