Desde o início do pandemônio causado pelo vírus chinês, o termo “serviços essenciais” entrou no vocabulário do dia a dia. Os burocratas e seus ajudantes ocultos na massa se arvoram em pequenos neros dispostos a verter o seu ódio e a sua frustração para cima dos desprotegidos.

Para mim, é muito simples – o serviço de um camelô que vende bibelôs feitos de arame é – para o camelô – essencial, porque é dele que tira o sustento; e para os clientes do camelô, os enfeites também são essenciais porque são deles que tiram o sonho.

Bernanos escreveu:

“O pobre prefere um copo de vinho a um pão, porque o estômago da miséria necessita mais de ilusões que de alimento.”

E todos nós, seres humanos, somos pobres e miseráveis, desterrados de um jardim de delícias, e precisamos da esperança de um sonho para enfrentarmos a dura realidade dessa vida terrena.

Por isso, abram já os salões de beleza e os botecos, as brigaderias e as lojas de bugigangas!

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