Rapaz, você precisava ter estado lá!

Foi na 5a feira, antes de ontem. O Padre Paulo Ricardo atraiu mais de mil pessoas para a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora no lançamento dos livros Escatologia e Coleção Oração e Santidade (Catequeses ao Povo de Deus), ambos de Bento XVI.

Nessas horas, todo mundo quer tirar uma foto com o Padre com o seu próprio celular. Em lançamentos anteriores, esse vai-não-vai gerava atrasos e por isso o fundador da Molokai me encarregou do privilégio e da honra de ficar tirando as fotos. Por mais de uma hora, passaram por minhas mãos celulares de todos os tipos e todas as idades pertencentes a uma platéia de pessoas de todas as idades e de todas as condições sociais.

Algumas, de tão alegres, logo se posicionavam para a foto quando só então se lembravam que não tinham me dado o celular. Outras, de tão eufóricas, após a foto esqueciam o celular para trás comigo. E eu, na pressa, recebendo um celular numa mão, entregando outro celular na outra. Algumas pareciam não acreditar ao ver o Padre em pessoa; talvez tivessem ido lá para tirar a dúvida se ele não era um robô do YouTube ou um holograma.

Vi alegrias, vi agradecimentos, vi pedidos, vi angústias.

Lembrou Fátima, no dia do Milagre do Sol.

Lá pelas tantas, os três pequenos estavam prontos para partir para o lugar da aparição. A estrada principal estava, porém, tão repleta que era impossível passar. “Todos queriam ver e falar conosco”, escreveu Lúcia. Não havia respeito humano nessa multidão! Muitas pessoas e até fidalgos e gente distinta, empurrados por ela, ajoelhavam-se diante de nós, implorando-nos apresentar seus pedidos a Nossa Senhora. Outros, impossibilitados de chegarem perto, gritavam (…)

“E assim por diante. Apareciam, nesse lugar, todas as misérias da pobre humanidade”, continuou Lúcia. “Alguns gritavam até dos topos das árvores e de cima dos muros, onde trepavam para nos ver passar. Dizendo sim para uns, estendendo a mão para ajudar outros a se levantarem do chão, conseguimos passagem, graças a uns senhores que iam à frente, abrindo caminho por entre a multidão.

“Agora, ao ler no Novo Testamento as cenas encantadoras da passagem de Nosso Senhor pela Palestina, lembro-me das que Nossa Senhora quis fôsse eu testemunha, apesar de tão criança, nessas pobres estradas e ruas de Aljustrel a Fátima e a Cova da Iria. Dou graças a Deus e ofereço-lhe a fé do bom povo português”. E fico pensando: “Se esse povo se humilha tanto diante de três pobres crianças, unicamente porque tiveram a graça de falar com a Mãe de Deus, que não faria se visse Jesus Cristo em pessoa?…”

O povo tem sede de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, a exemplo de Cristo, o Padre  sabe ouvir as pessoas e entrar imediatamente em sintonia com elas, sempre bem disposto, sempre alegre.

Tudo isso eu testemunhei e pude perceber que ali, na busca por Cristo – não na política, na economia, na educação, na ciência, na arte ou na cultura -, se encerra o segredo para sairmos da enrascada em que nos metemos. Uma enrascada de desemprego, mortes e toda a sorte de barbaridades causadas por um povo que rejeitou a pedra angular. Naquela noite, demos a nossa contribuição de reconstrução e colocamos a nossa pequena pedrinha no alicerce de uma civilização em frangalhos.

Rapaz, você precisava estar lá!

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