No dia do atentado terrorista em Suzano, o presidente da Câmara dos Deputados disse: “Eu espero que alguns não comecem a dizer que se os professores estivessem armados teria resolvido o problema. Eu espero que as pessoas (…)  compreendam que o monopólio da segurança pública é do Estado; não é responsabilidade do cidadão. Se o Estado não está dando segurança à sociedade, a responsabilidade é dos gestores da área de segurança pública. (…) Um pedido desse não é mais posse [de arma], é discussão sobre porte em área urbana. Acho que aí nós passamos para uma proposta de barbárie no nosso Brasil que não deve avançar.”

Em primeiro lugar, a afirmação carece de lógica. Se o monopólio da segurança é do Estado e os professores são funcionários do Estado, o que o deputado disse pode ser colocado da seguinte maneira: “Os funcionários do Estado não podem usar armas porque a segurança compete ao Estado.”

Hein?!

Em segundo lugar, se a segurança pública compete ao Estado, onde estavam as dezenas (ou centenas) de policiais que acudiram à escola quando, momentos antes, os dois terroristas mataram o tio de um deles numa avenida movimentada e saíram andando tranquilamente? Por que não foram detidos ali?

Em terceiro lugar, se os professores estivessem armados o problema teria sido evitado porque os terroristas sequer cogitariam de entrar na escola. A prova está em que, ao se defrontarem com pessoas armadas (os policiais), os terroristas capitularam.

Em quarto lugar, onde estava o Estado que não impediu a compra de uma arma de fogo ilegal? Onde está o Estado que não guarda as fronteiras pelas quais entra todo tipo de arma?

Em quinto lugar, confiar a vida aos “gestores da área de segurança pública”, muitos deles hoje encarcerados, soa como uma piada de humor negro.

O pior de tudo, entretanto, é a mentalidade revelada na frase: “(…) não é de responsabilidade do cidadão”. Essa mentalidade reduz o cidadão a uma criança, a um menor de idade dependente do Estado Papai Noel que tutela a vida de todos. Devemos confiar o nosso bem mais precioso – a nossa vida – a figuras que hoje brilham nas manchetes policiais. Não, senhor Rodrigo Maia, não é com homens pamonhas que se faz uma nação.

E, por fim, eu não sei em que mundo encantado vive o senhor Rodrigo Maia. A barbárie já está instalada no Brasil, com dezenas de milhares de assassinatos e com o cidadão desprotegido, sem o direito da legítima defesa.

Diversas reformas estão dependendo do Congresso. Entretanto, a maior delas é a reforma desse tipo de mentalidade; sem ela, todas as demais serão em vão.

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