Trecho do livro Bandeirantes e Pioneiros – Paralelo entre duas culturas, de Vianna Moog – capítulo III – Conquista e Colonização. Livro de 1955.

“O prodigioso negro George Washington Carver, prêmio Spingarn em 1923 e prêmio Roosevelt em 1939, tornou-se pesquisador e inventor porque o ambiente e a cultura em que plasmou a sua formação estavam saturados de invenção e de pesquisa e de respeito aos inventores e ao ofício de pesquisar. No Brasil, como nos países da América Latina, um Washington Carver seria quase inconcebível. Ouviria histórias de Pedro Malasarte logrando inventores e pesquisadores, em lugar das histórias de edificação moral em torno de inventores e cientistas que fazem, ao lado da história de Robinson Crusoé, que é a um tempo uma grande lição de economia política e de inventividade, a delícia da infância americana. E ai dele se os companheiros vierem a saber que no porão de sua casa ele vem estudando o problema do aproveitamento do amendoim, ou o do café, ou o do babaçu, ou o da borracha, com o propósito de elevar o nível de vida de sua região! Na certa seria tomado por gira. Os pais, então, para acabar com as maluqueiras do rapaz, não mais permitiriam em casa nem laboratório nem oficina.”

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