Curioso com a profusão de engenhocas terráqueas que invadia o seu planeta, um ET de Marte resolveu vir ao nosso planeta. Como você deve saber, os ETs são criaturas inteligentíssimas e cultíssimas e, portanto, profundos conhecedores da história da humanidade. O homemzinho verde escolheu, então, a data máxima da Cristandade – o nascimento do Menino Jesus – para nos visitar.

Ajustou o seu GPS avançadíssimo para Belém (na Terra de Judá, não no Pará) e em poucos instantes pairava sobre o Oriente Médio. Pobre ET! Não conseguiu sequer pousar, face ao festival de katyushas com o qual foi recepcionado. Coçando a cabeçona – você deve saber, os ETs têm cabeças enormes – rapidamente ajustou o curso para Roma.

Lá, sim, no berço do Cristianismo, na Cidade da Fé, havia de encontrar pistas do Aniversariante. Que decepção! Só intrigas, turistas curiosos, comunistas infiltrados e toda a sorte de barbaridades. Lembrou o episódio em que Napoleão – não se esqueça: os ETs são eruditíssimos – sitiou o Papa e mandou um cardeal colher a assinatura do Bispo de Roma num documento que dava a ele – Napoleão – plenos poderes sobre a Igreja:

= Ou o Papa assina ou eu vou destruir a Igreja!

“Majestade, perdoe-me dizer” respondeu o cardeal “se tantos padres, bispos, cardeais e Papas não conseguiram destruir a Igreja ao longo de tantos séculos, não será o senhor, no curso prazo de uma vida humana, que vai conseguir fazê-lo.”

Mais do que depressa, o homenzinho verde rumou para os EUA. “Ah, lá sim, no país líder dessa gente, poderei ver os efeitos do Cristianismo puritano.”

Nova decepção! Viu catedrais de dólares, viu a história se repetindo com o grande capital – novo Herodes – procurando o Menino para matá-lo.

Cada vez mais assustado, rumou para o país mais católico do mundo, rumou para o Brasil onde viu crimes, drogas e tudo o que a imaginação do capeta é capaz de produzir: mãe matando filho, filho matando pai (quando sabia quem era o pai), bandido sendo solto e a vítima dele ficando presa.

Desesperado, pensou “Esse país não é para marcianos” e, dando sebo nas alienígenas canelas, pediu tudo às turbinas quânticas e num piscar de seus verdes e enormes olhos, estava de volta à solidão vermelha.

Not so fast, Louis.

Tivesse um pouco mais de paciência, teria conhecido a mim ou a um dos meus três leitores, meninas e meninos que ainda crêem, ainda esperam, ainda se encantam…

Feliz Natal, rapaziada!

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