Hoje minha filha se foi. Com o marido, foi morar num país distante e se unir aos incontáveis compatriotas para quem o Brasil diuturnamente dá as costas.

Brain drain é o nome que os gringos dão à evasão de cérebros da qual sofre o nosso país. As melhores pessoas não encontram no Brasil um ambiente decente onde as idéias possam florescer. Melhor dizendo, num país de mais de 60 mil homicídios por ano em números oficiais – portanto, deve ser bem mais -, estar vivo já é um privilégio.

O país do homicídio, do analfabetismo, das drogas, do suicídio e dos ladrões não pode mesmo dar morada para pessoas de bem.

O país que já deu Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa, Dorival Caymmi, Villa-Lobos e mais uma penca de gênios cujos nomes declino por falta de espaço, viu chegar, a partir da década de 1960, a revolução sexual, a pílula, o aborto, o divórcio, o gramcismo e, pior de tudo, sofreu, mais do que nenhum outro país, as consequências do maldito Pacto de Metz, que pautou o Concílio Vaticano II e pavimentou o terreno para a teologia da libertação.

Mais do que ninguém, o país do jeitinho e do homem cordial, justamente por ser o país das meias medidas e das aparências, sofreu os efeitos da destruição do Cristianismo e se tornou o país do deus-dinheiro, onde as pessoas já não se olham vendo irmãos, mas cifrões.

Agora, minha filha se foi. Só resta a oração de um pai.

Deus te acompanhe, filha. Leve com você a alegria de nossa pátria e de nossa mãe, Maria.

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