No post anterior, mostrei como os marginais são os revolucionários da atualidade. Eles, entretanto, não teriam poder algum se não fosse pela omissão dos boas-vidas.

Os boas-vidas são as pessoas que, na prática, acham que essa vida foi feita para ser desfrutada como um pirulito ou um sorvete. Você já deve tê-los visto contando com futilidade como “aproveitaram” as férias – como se essa vida tivesse sido feita para ser “aproveitada”. Nesse sentido, Joseph Conrad escreveu que algumas malas guardam mais recordações das viagens do que os seus donos.

Em teoria, os boas-vidas podem até acreditar que a vida é um tempo de prova após o qual haverá recompensa ou condenação. Esses são os mais nocivos. São eles os respeitáveis cristãos que falam da boca para fora mas, na hora de dar a cara a tapa, fogem. Nosso Senhor Jesus Cristo chamou esses hipócritas de sepúlcros caiados; São Paulo, de traficantes de Cristo.

Se não fosse a omissão desses traficantes, o mundo não estaria esta porcaria que está. Os marginais jamais teriam tido o poder que têm.

Vou dar um exemplo.

A primeira pessoa que descobriu o Foro de São Paulo – a mais perigosa organização revolucionária das Américas, nas palavras de Graça Salgueiro – foi o advogado José Carlos Graça Wagner. Olavo de Carvalho o tornou conhecido do grande público. Por suas atuações no combate a esse monstro, Graça Wagner e Olavo foram deixados sozinhos e duramente perseguidos.

Os traficantes de Cristo, muitos deles amigos de Graça Wagner e de Olavo, preferiram a boa vida: calaram e ficaram do lado do establishment por conveniência. A mesma conveniência que condenou Cristo à morte.

Uma pessoa de valor, entretanto, não quer a boa vida; quer a vida boa – a vida da busca pela verdade, 24 horas por dia, seja qual for o resultado a que essa busca a levar. Normalmente, uma vida boa é exatamente o oposto da boa vida.

A questão está posta: ou a boa vida da mentira ou a vida boa da verdade. Não há alternativa.

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