Hoje o dia amanheceu nublado e o vento soprando dava uma sensação de frio. Caminhando pelo bairro, parei numa esquina ante a inusitada cena de fotografias espalhadas pelo chão. Cenas da família no quintal, fotos de bebês, a jovem família na praia, fotos feitas com câmeras amadoras, retratos profisisonais, em preto e branco, coloridas… a história de uma vida inteira entrelaçada com outras vidas em algumas dezenas de fotografias jogadas no chão, rasgadas, pisadas… Uma cópia de um documento mostrava um velho, talvez o dono de todas aquelas recordações.

Alguns transeuntes paravam e lamentavam. Outros, olhavam e guardavam para si as suas reflexões. Meditavam o pouco valor dado a uma vida que se foi.

A gente corre, briga, sofre, ri, chora e, de repente, chega a morte e põe tudo no lugar. A eternidade é onde tudo se completa.

O meu dia foi bom, pode a noite descer.

[A noite, com seus sortilégios.]

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