Para entender realmente os mistérios da espionagem soviética, de nada ajuda ver um filme de agente secreto ou ler um romance de espionagem, pois isto é apenas diversão. Você precisa ter vivido naquele mundo de segredo e falsidade durante uma vida, como eu vivi, e mesmo assim pode não entender o que está acontecendo nos momentos mais obscuros, a menos que seja um dos pouquíssimos no topo da pirâmide.

Ion Mihai Pacepa

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Faz uma semana que estourou o escândalo do Facebook envolvendo a Cambridge Analytica, Donald Trump e o Brexit e as coisas ainda não estão claras – se é que estarão um dia.

Em primeiro lugar, estamos diante de uma demonstração de guerra assimétrica – um lado pode tudo, o outro nada. Donald Trump está sendo atacado por ter feito exatamente o mesmo que Santo Obama da América fez nas eleições de 2012. Barack HUSSEIN Obama foi aclamado como um gênio na época.

Em segundo lugar, parece hipocrisia da mídia se escandalizar com o uso de informações dos internautas por parte do Facebook quando todo mundo sabe que a internet é uma gigante  e insaciável devoradora de dados. A Internet das Coisas já tornou a rede onipresente. Mas, não, não é hipocrisia. Se a mídia for acusada de não noticiar a manipulação de dados pelas grandes corporações, os jornalistas dirão: Em tal ocasião, noticiamos isso; em outra ocasião, aquilo. Realmente, o acontecimento foi noticiado, mas numa proporção enormemente desigual em comparação com os louvores às grandes corporações e à tecnologia, o que caracteriza mais uma tática da mídia de massa: a manipulação do fluxo de informações – um fato só tem relevância na medida em que é repetido; noticiá-lo uma, duas ou poucas vezes é o mesmo que nada.

Em terceiro lugar, a denúncia contra o Brexit precisa ser contextualizada no atual conflito Putin versus Reino Unido: o envenenamento do ex-agente duplo Seguei Skripal e, pior ainda, a recente acusação formal feita pelo governo britânico de que os russos seriam os autores do ataque NotPetya, ocorrido em 2017.

Tudo indica também, que Zuckerberg está bem atrapalhado com o rumo dos acontecimentos. O antes tão seguro menino de ouro dos globalistas deu entrevista quatro (!) dias depois da denúncia e estava bastante apalermado, com cara de nádegas. O Facebook teve, em 2017, o menor crescimento em número de usuários da sua história. Além disso, ele não está conseguindo censurar a onda conservadora que o invadiu. Nada surpreende se o Facebook for substituído ou aniquilado; afinal, ele mesmo substituiu o Orkut. Outras redes sociais outrora promissoras simplesmente desepareceram – Myspace e Second Life, por exemplo. Isso sem falar do WhatsApp e do Tweeter que mostram como algo até então inexistente pode, de um instante para outro, se tornar imprescindível. Ninguém sabe o que pode vir por aí.

Como quer que seja, os globalistas já deram a sua opinião. George Soros disse que a internet precisa de regulamentação internacional. Lei internacional, governo global.

Eu e você certamente não somos “um dos pouquíssimos no topo da pirãmide” e por isso não sabemos que interesses estão por trás da tríplice rasteira gentilmente oferecida a Trump, Zuckerberg e ao Brexit. Mas uma coisa é certa: mais do que eles, o alvo real dessa manobra somos nós – eu e você – usuários da rede que estamos conscientes de que a internet é a última fronteira da liberdade humana, liberdade que precisa ser cerceada pelos megalomaníacos desejosos de implantar uma ditadura mundial.

Alguns, erroneamente, creditam a internet a uma invenção demoníaca e evitam usá-la. Nenhum engenho criado pelo homem é, em si, bom ou ruim. Tudo depende de quem o usa.

Numa das mais antológicas cenas do cinema americano, Shane disse: “Uma arma é uma ferramenta, Marion, nem melhor nem pior do que qualquer outra, como um machado, uma pá… Uma arma é tão boa ou tão má quanto o homem que a empunha.”

A internet é tão boa ou tão ruim quanto as pessoas que a usam. Por isso, a verdadeira guerra que devemos lutar é a guerra cultural – uma batalha pela mente dos homens, dos homens que farão da internet aquilo que eles são.

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