A escola católica (?) Colégio Santa Maria, em São Paulo, endereçou a “toda a comunidade escolar” a carta abaixo. O documento vem enfeitado com desenhos cujo significado deixo para pessoas mais qualificadas do que eu – mais qualificadas e com mais estômago.

Projeto

Gênero: o X da questão

No primeiro semestre, alunos e alunas do Ensino Médio vivenciaram o primeiro momento do projeto proposto pela equipe de Ciências Humanas na forma de um encontro e palestra sobre gênero. A manhã de discussões contou com a participação dos antropólogos Bernardo Fonseca e Jaqueline Oliveira e das alunas do Coletivo Feminista Santa Sororidade. Nesse encontro, foram discutidos os primeiros referenciais sobre gênero como uma ferramenta de análise e importantes questões acerca da construção de referenciais de feminilidade e masculinidade que atingem homens e mulheres.

“Para entendermos a importância desse debate em nossa sociedade e na educação, é fundamental termos em vista que o Brasil possui casos alarmantes e cada vez mais frequentes de violência contra a mulher, além de ser o país com maior número de assassinatos contra mulheres transexuais”, esclarece a professora de História, Valeria Comte Delbem. “O momento político e o conservadorismo do atual governo, explicitado pela composição de um ministério composto exclusivamente masculino, somado à interrupção de projetos que abarcam toda uma gama de questões que envolvem o campo dos direitos humanos, são preocupantes”, completa.

O Santa Maria não poderia se furtar dessa discussão. As recentes experiências mostram a necessidade de aprofundarmos o conhecimento sobre gênero, até pela existência de um coletivo feminista na escola, fundado pelas alunas do Ensino Médio em 2015. Suas intervenções e as diversas formas de opressão vividas por alunas e alunos reforçam essa urgência. A área de Ciências Humanas convida toda a comunidade escolar a debater e a refletir sobre as assimetrias de gênero, enfim, discutir o porquê do X da questão.

“Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres” — Rosa Luxemburgo

***