Trechos do livro Era uma Senhora mais brilhante que o sol, do Padre João de Marchi. Essa aparição, diferentemente das demais, ocorreu em uma fazenda que pertencia a um tio da Lúcia: os Valinhos.

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Eram mais ou menos quatro horas da tarde quando a Lúcia começou a notar as alterações atmosféricas que precediam as Aparições da Senhora na Cova da Iria: um súbito refrescar da temperatura, um desmaiar do sol e o característico relâmpago.

— Lá vem Nossa Senhora! — pensou a Lúcia — E a Jacinta que não está cá!

[Lúcia pediu para um menino ir buscá-la.]

Ao primeiro relâmpago, seguira-se outro e foi nessa altura que chegaram a Jacinta e o João. Momentos depois, a luminosa Senhora aparecia-lhes sobre uma carrasqueira, de altura sensivelmente superior à da Cova da Iria. A querida Mãe do Céu recompensava os seus três amiguinhos que Lhe tinham permanecido fiéis em circunstâncias tão difíceis.

— Que é que Vossemecê me quer — pergunta mais uma vez a Lúcia com uma confiança toda filial.

Quero que continueis a ir à Cova da Iria, no dia 13 e que constinueis a rezar o terço todos os dias.

De novo, a Lúcia pede a Nossa Senhora que faça um milagre para que todos acreditem.

Sim — responde a Virgem — No último mês, em Outubro, farei um milagre para que todos creiam nas minhas aparições. Se não vos tivessem levado à aldeia [se as autoridades não tivessem prendido as crianças] o milagre teria sido mais grandioso. Virá São José com o Menino Jesus para dar a paz ao mundo. Virá também Nosso Senhor para abençoar o povo. Virá ainda Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Dores.

Logo a Lúcia se lembra da incumbência da Sra. Maria Carreira e pergunta:

— Que é que Vossemecê quer que se faça do dinheiro e das outras ofertas que o povo deixa na Cova da Iria?

— Façam-se dois andores: um leva-o tu com a Jacinta e outras duas meninas vestidas de branco, o outro leve-o o Francisco com mais três meninos também vestidos de opas brancas. O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário.

A compassiva criança não esquece os doentes que lhe tinham sido recomendados e fervorosamente pede para eles a cura.

— Sim, alguns curarei durante o ano — foi a resposta da Visão.

E, tomando um aspecto muito triste, Nossa Senhora acrescenta:

— Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, pois vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas.

Em seguida, a Virgem despede-se dos seus pequenos amigos e começa a elevar-se, como de costume, em direção do Nascente, deixando na alma dos pastorinhos uma grande saudade do Céu e um grande desejo, uma verdadeira fome de sacrifícios para abrir a tantos pobres pecadores a porta do Paraíso.

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