Às vezes me sinto esquisitão. É quando vejo coisas que acho que só eu estou vendo. Por exemplo, o papel de Zé Dirceu no incansável empenho da Rede Mongo para tirar Temer e trazer de volta alguém que barre a Lava-Mongos – Lula, quem sabe?

Recordar é viver; vamos aos fatos.

No início de maio, por razões misteriosas, soltaram o Zé Dirceu. No rigor do termo, mandaram para prisão domiciliar. Essa é boa! Prisão nos domicílios em que esses bandidões vivem, até eu queria. Domicílios nos quais a maior parte do povo brasileiro jamais vai pôr o pé-rapado.

Dias depois, Lula foi ao beija-mão em Curitiba e viu a capa e a coisa pretas.

Era hora de agir e Zé Dirceu solto provou que não é chefe por acaso.

Poucos dias depois do depoimento de Lula a Sérgio Moro, o jornal O Mongo publicou uma denúncia-bomba: Joesley Friboi safadamente gravara Temer numa conversa comprometedora provando que o presidente agia para barrar a Lava-Mongos. A denúncia, mais tarde, se mostrou falsa. Foi o início de uma campanha massiva para derrubar Temer. Essa campanha não diminuiu após a votação da Câmara dos Deputados que barrou a denúncia contra o presidente da república; ao contrário, recrudesceu. A Rede Mongo deve. Por isso, está desesperada.

Observe a sequência: Zé Dirceu é solto, Lula vê a polícia na esquina e a Rede Mongo lança o golpe contra Temer.

Zé Dirceu solto é o principal obstáculo à prisão de Lula. Lula é o garoto-propaganda; Zé Dirceu é o cérebro. Ambos são fãs dos açougueiros do Caribe, de quem copiaram esse modelo de dupla liderança. Leia o que diz Ion Mihai Pacepa sobre Raul Castro.

Em abril de 1971 eu visitei Cuba como membro de uma delegação do governo romeno para a celebração dos dez anos da vitória de Fidel Castro na Baía dos Porcos. Alguns dias depois da cerimônia, Raul Castro me convidou para ir pescar no mar em seu barco, junto com Sergio del Valle. O outro convidado era um civil soviético que se apresentou como Aleksandr Alekseyev. “Aquele é Shitov”, sussurrou del Valle. “Agora, ele é conselheiro de Allende”. (O marxista Salvador Allende havia sido eleito presidente do Chile no mês de novembro do ano anterior.) Lá, no barco, ficou claro para mim – mais claro do que nunca – que era Raul, não Fidel, quem empunhava as rédeas da diligência da revolução cubana.

Em 1972 eu preparei uma visita oficial de Ceausescu a Havana, e, durante ela, também fui o seu braço direito. Fidel era o testa de ferro, Raul o ajudante geral. A primeira dama cubana não era a esposa de Fidel, mas a de Raul.

A maior prova de que Pacepa está certo é que nada mudou na Ilha com a morte de Fidel.

Lula é o testa de ferro, Zé Dirceu é o cérebro.

Zé Dirceu esteve em Cuba durante o regime militar brasileiro. Recebeu treinamento e entrou para o serviço secreto cubano. Dele, só se sai de duas formas: ou aposentado ou morto (cf. Olavo de Carvalho). Como não se aposentou, o camarada Daniel segue alinhado com Raul Castro, agindo contra os interesses do povo brasileiro e a favor do comunismo internacional.

Lula e Fidel são tidos como fundadores do Foro de São Paulo, “a mais perigosa organização revolucionária das Américas”. Mas nessa tarefa não estiveram sozinhos; os outros co-fundadores são Raul Castro e Zé Dirceu. (Outra pessoa que também teve papel importante no FSP foi Marco Aurélio Garcia. Mas MAG já partiu para se encontrar com Fidel no inferno.) Todos psicopatas, evidentemente.

Eis como vejo a atual situação da Mongolândia: Zé Dirceu solto é o principal perigo para o Brasil. Mas parece que só eu estou vendo dessa forma e por isso às vezes me sinto meio esquisitão.

Meio mongo.

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