Era uma vez um país chamado Mongolândia onde quase todos os habitantes haviam se transformado em mongos por influência da Rede Mongo, uma extensa cadeia de jornais, rádios e emissoras de tv. Acontece que essa Rede devia os tufos para o BMDES – Banco Mongolandês de Desensolvimento Econômico e Social (seja lá o que isso signifique). Acontece que essa dívida estava sendo investigada pela Lava-Mongos, uma força-tarefa tipo Operação Mãos Limpas italiana.

Com a Lava-Mongos nos calcanhares, a Rede Mongo engendrou um plano para barrá-la: bastava impichar o presidente e convocar novas eleições. Decerto, a Rede Mongo elegeria um presidente aliado porque tinham – a Rede e os partidos de esquerda perseguidos pela Lava-Mongos – uma arma infalível: a urna eletrônica.

Assim, um jornalista mentiroso (passe o pleonasmo) escreveu um artigo-denúncia bombástico dizendo que o presidente da Monglândia havia sido flagrado numa gravação tramando contra a Lava-Mongos. Resultado: a Bolsa caiu, o dólar disparou e, até o presidente provar que focinho de porco não é tomada, os bandidos detentores de informações privilegiadas haviam feito fortunas e a economia da Mongolândia havia sofrido um duro golpe. Mas isso foi apenas o começo da história.

Dando seguimento ao engenhoso plano, a Rede Mongo lançou um ataque maciço contra o presidente da Mongolândia, no que foi seguido pelas demais redes de mídia de massa menores – lógico, é o famoso “eu também quero”. Essa campanha durou semanas e era feita dia e noite, incluindo sábados, domingos e feriados.

O presidente, ao se ver em palpos-de-mongos, não teve outra solução senão comprar, via a liberação de emendas parlamentares, o apoio de centenas de políticos ao custo de bilhões de mongos-reais (sim, a moeda da Mongolândia é o mongo-real), o que ocasionou o maior rombo no orçamento da Mongolândia em toda a sua história.

Mas o presidente não era presidente por acaso. Macaco velho com décadas de inatividade política, logo volveu os seus olhos de vampiro na direção do bolso dos contribuintes-mongos e, num piscar de olhos, aumentou os impostos. Nisso, foi muito bem assessorado pelo seu ministro da economia, alçado ao ministério pelos banqueiros da Mongolândia, a quem obedecia com fidelidade canina.

Resumo: a Rede Mongo queria se livrar da Lava-Mongos, fez um plano macabro que resultou no aumento de impostos e, para variar, os contribuintes-mongos é quem ficaram com a conta.

Nenhuma novidade. Hoje, é assim: os contribuintes são escravos do Estado. Não escravos presos por correntes, mas por impostos. Não escravos com o corpo encarcerado, mas com as mentes aprisionadas, o que é muito pior.

É a Mongolândia, que está extendendo as suas fronteiras por todo o mundo.

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