Talvez você não acredite, mas houve um tempo em que o Brasil não era esse manicômio de hoje em dia. Houve um tempo de paz, de fé e de pessoas inteligentes. Era o tempo de Manuel Bandeira, Gilberto Freyre e Heitor Villa-Lobos. Não cito mais nomes para não tomar espaço. Mas havia um mundaréu de brasileiros pertencentes à elite intelectual mundial. Não tinha pra ninguém.

Era também o tempo de Câmara Cascudo.

Luís da Câmara Cascudo nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, em 1898, época em que a cidade tinha cerca de 15 mil habitantes. Passou lá praticamente a vida toda. Num tempo de dificuldades de transporte e informação, o etnógrafo – como ele se autodenominava – conseguiu a proeza de ser o maior pesquisador das nossas tradições e granjear o prestígio internacional.

Por ser filho único e precisar cuidar dos pais, ficou por lá mesmo em vez de ir para o Rio de Janeiro, destino natural dos intelectuais da época. A originalidade da sua obra pode ser explicada pela sua declaração: “Mas o segredo é que, em vez de eu ir pela cabeça dos outros, eu ia pela minha cabeça. Isso é, escrevia sobre os assuntos que me interessavam. E estes eram: a cultura popular e sua origem. Fui, assim, o investigador, o pesquisador, o policial da cultura do povo. Não apenas registrando o que havia mas procurando saber a origem da cultura popular. Mitos, lendas, superstições, crendices, danças, cantigas, indumentária, alimentação, casa, caminho, voz, timbre… tudo isso era motivo de encantamento, ou, por outra, de pesquisas para mim. E nisto ocupei a minha vida toda”. Coisa de gênio.

Como bem diz o rótulo do vinho português feito em sua homenagem: “Serve-se este vinho do Douro, para homenagear de forma sentida Câmara Cascudo, homem maior das letras brasileiras, historiador, folclorista e etnógrafo, que percebeu definitivamente quem é o brasileiro quando olhou para Portugal”. (Atenção, a lojinha do Instituto Câmara Cascudo, em Natal, ainda tem algumas garrafas da “Edição Câmara Cascudo, Grande Reserva, 2001”. Compre a sua antes que acabe e afogue as mágoas em grande estilo.)

Nada mais verdadeiro. O povo português, com a sua rara capacidade de assimilar e transformar os costumes dos povos com os quais convivia, criou o Brasil, essa “misturação” cantada por Bororó:

Você tem boniteza e a natureza foi quem agiu

Com esses olhos de índia, curare no corpo que é bem Brasil

Tu és toda a Bahia, a flor do mucambo, da gente de cor

Faz do amor confusão, numa misturação

A misturação brasileira nos seus aspectos mais cotidianos e mais simples – e, por isso, mais verdadeiros – foi o objeto de estudo de Cascudo.

Mas isso foi antes da hegemonia gramsciana tomar conta de tudo.

A hegemonia gramsciana foi inventada por Antônio Gramsci e consiste na ocupação de espaços pelos comunistas de forma que todo mundo vire comunista sem sequer perceber. É o que vemos hoje na mídia de massa, no sistema educacional e na indústria cultural. Todos juntos para destruir o que foi exatamente o cerne da obra cascudiana: a tradição brasileira inspirada na cascuda fé cristã dos portugueses.

A maior prova disso é a criminalização do povo português em todos os seus aspectos: matador de índios, escravagista, opressor, machista, explorador, atrasado…  Segundo os comunas, o português representa tudo o que não presta e é o culpado por todos os nossos males. Se você pensa assim, cuidado aí! Pode ser que os comunistas já tenham feito a sua cabeça e você sequer percebeu.

Ao atacar o povo português, os comunas querem, na verdade, atacar a civilização ocidental criada pelos judeus e cristãos; mais os cristãos do que os judeus; mais os católicos do que os outros cristãos. O alvo prioritário, aliás, é a Igreja Católica.

A hegemonia gramsciana tomou conta de tudo e tenta por todos os meios apagar a memória da tradição cristã e por isso o Brasil virou a ante-sala do inferno e o paraíso dos burros. Hoje já não existe a multidão de sábios do passado. Villa-Lobos morreu em 1959, Manuel Bandeira em 1968, Gilberto Freyre em 1987 e Câmara Cascudo em 1986.

Mas a fé cristã não morreu nem morrerá porque veio nos navios guiados não pela força do vento nas velas mas pela cruz gravada nelas. Foi plantada pelas mãos da própria Nossa Senhora dos Prazeres nas batalhas de Guararapes sob o signo da bala e do sangue. E, conforme a promessa de Fátima, que amanhã completa cem anos, “Portugal guardará sempre a fé e …”

… E o Brasil também.

Guardaremos sempre a nossa cascuda fé.

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