A moda agora é usar película escura nos vidros do carro. A película diminui a incidência de radiação solar e assim melhora o conforto térmico e evita danos à saúde, principalmente à pele e à visão. A criatividade do brasileiro, entretanto, logo achou melhor uso para a geringonça.

O brasileiro é o ser mais criativo do universo, à exceção de Deus (e olha lá!). Se vocẽ parar para analisar como o brasileiro usa a criatividade para o bem, logo vai se lembrar de expoentes como o Padre Paulo Ricardo e o professor Olavo de Carvalho, o maior cientista político do mundo. Há muitos outros nomes, mas não vamos nos alongar. Mas, diz o ditado, a corrupção do melhor é a pior e, por isso, quando o brasileiro resolve fazer porcaria, não há quem o supere. Veja, por exemplo, como as nossas páginas de política se confundem com as páginas policiais – a grana roubada pelos criativos comunas brasileiros atingem valores inimagináveis para o resto do mundo.

Assim, o brasileiro, munido dessa película, logo a transformou em uma blindagem de pobre e passou a usá-la em tons bem mais escuros do que os permitidos por lei. Aliás, por falar em lei, quem deveria zelar por ela e fiscalizar o uso das películas são os primeiros a abusar do vidro escuro – quanto mais escuro melhor; o ideal é o tipo que nem colocando o sol lá dentro dá pra ver nada – para se esconder do povo e são os primeiros a incentivar o uso das películas ilegais. Político brasileiro morre de medo e de nojo do povo.

(Parêntesis: nomes como os Bolsonaro e os deputados federais que, no impeachment de dona Dilma, a Usurpadora, citaram Olavo de Carvalho, certamente honram o povo brasileiro. Nem todos os políticos são desonestos – só 99%.)

Voltando ao comum do povo: o que os james bonds tupiniquins alegam é que a película afasta intrusos e por isso aumenta a segurança; o ladrão prefere assaltar outro, algum infeiz sem o truque instalado.

Pode ser verdade, mas, se afasta intrusos, afasta amigos também. Vou dar um exemplo: um vizinho sempre me encontrava e me cumprimentava até o dia em que colocou película no carro. Depois disso, nunca mais nos cumprimentamos. Ele passava, eu olhava e dentro do carro estava o maior breu. Acabamos por nos distanciar e acho que era isso mesmo que ele queria. Uma outra pessoa me disse: coloquei vidro escuro porque tem certas pessoas que eu não quero mesmo cumprimentar.

Acontece que a segurança de uma nação vem do fato de uma pessoa confiar na outra. O que será de uma nação cujo povo não quer amizade com o vizinho? Vou dizer  para você: desconfiança, mentira, roubo, assassinato, desemprego, aborto, divórcio, eutanásia, satanismo, enburrecimento… parece familiar?

E dizer Antes ele do que eu, isso sim é que é caridade! Cuido de mim e os outros que se danem! No seu cinismo, quem diz isso não percebe que essa é justamente a causa da insegurança e da violência: o individualismo, o não querer saber dos outros, o cuidar apenas de si, como se vivesse em uma esfera inatingível, impermeável e isolada. Esse é o famoso idiota útil; Idiota demais para saber que é útil diria Olavo de Carvalho. O capeta conta com essa esperteza de jeca para espalhar a divisão, o ódio, o crime e a destruição.

Outro argumento usado pelo brasileiro é que tem que se virar porque o governo não faz nada. Governo? Você ainda espera alguma coisa do governo? O governo é que é o problema! Responda: você confia nos nossos políticos? Então como quer que eles resolvam os nossos problemas? Somos nós que temos que resolvê-los e o primeiro problema que temos que resolver é meter o pé no traseiro da classe política que está aí desde que nascemos enchendo o nosso saco com leis e mais leis e impostos e mais impostos. Todos unidos para nos ferrar. São os nossos políticos comunistas – e os que os toleram e colaboram com eles num acordo de serpentes – que transformaram o Brasil no paraíso dos ladrões e no país do incentivo ao crime.

Além disso, falando do ponto de vista estritamente da segurança no trânsito, a película prejudica a visibilidade e a comunicação entre os motoristas e entre esses e os pedestres. Você já deve ter se deparado com a cena de algum motorista escondido por detrás de uma película mais escura do que o Vantablack – o material mais escuro já criado pelo homem – tentando se comunicar com um pedestre sem perceber que o infeliz não consegue sequer vê-lo. Realmente, o emburrecimento do brasileiro chegou ao limite.

(Outro parêntesis: quando, anos atrás, o Brasil pegou o último lugar em testes internacionais de avaliação escolar, o ministro da educação disse: poderia ter sido pior. O que é pior do que o último lugar?!)

Isso sem falar na malandragem de fazer da película um esconderijo para usar o celular (e causar acidentes), evitar o uso do cinto de segurança, chifrar a esposa etc.

Mas contra fatos não há argumentos. O fato é que a violência tem recrudescido com a disseminação do uso da película. Com essa tática de avestruz, o brasileiro quer resolver o problema sem atacar a causa, coisa típica de quem ama a superficialidade e odeia a verdade.

Não queremos aprofundar e saber qual a causa do problema porque a verdade pode ser dolorosa. E a verdade é que viramos as costas para o ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre o qual foi construída a civilização ocidental: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.

Viramos as costas para Deus e para o seu amor sem medida e já não pensamos mais no ensinamento do apóstolo:

— Aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê.

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