Sob a manchete Apenas 8 bilionários possuem a mesma riqueza que as 3,6 bilhões de pessoas mais pobres do mundo, a Oxfam divulgou hoje o relatório Uma Economia para os 99%. Na introdução do relatório, a organização dá, como solução para o “problema”, o fortalecimento dos governos e o fomento de empresas que valorizem trabalhadores e produtores, com ênfase no meio ambiente e nos direitos das mulheres. Ao elencar oito tópicos para a criação de uma “economia humana”, o relatório cita nominalmente, em seis deles, o governo como responsável pela implantação das soluções; nos outros dois tópicos, fica subentendida a atuação governamental. É particularmente interessante a observação referente ao “avanço das mulheres” (tópico 5): “As normas sociais deixarão de determinar o papel da mulher na sociedade (…)”.

Realmente, miséria, fome e falta de saneamento básico são uma porcaria – isso é coisa que ninguém nega. Mas, querer que o governo resolva todos os problemas chama-se socialismo (ou comunismo, se você preferir) e a história mostra quão catastróficas foram as experiências dos regimes vermelhos do século XX.

Roger Scruton, no livro Filosofia Verde – Como Pensar Seriamente o Planeta, dá como exemplo a Polônia, país em que, durante o regime comunista, era crime despejar resíduos poluentes das fábricas e dos esgotos nos rios. Mas tudo – fábricas, esgotos, rios – era controlado pelo Partido Comunista. Logo, ninguém era punido. Quem seria louco de tentar levar o PC a julgamento? Os rios morreram e a água não servia nem para irrigar a terra. Com o fim do regime totalitário, graças à iniciativa privada e a um Judiciário independente, os rios renasceram e já começaram a dar peixes. O problema se repetiu em Chernobyl, um dos maiores desastres ambientais das últimas décadas, e ficou evidente que a economia centralizada é um desastre ambiental.

Em outras palavras: a solução proposta pela Oxfam – o aumento do poder estatal – só vai agravar o problema. Aliás, diga-se de passagem, o homem mais rico do mundo, Bill Gates, não por coincidência, é ele mesmo um adepto do socialismo. Para piorar, o relatório ataca as únicas forças que podem resolver, ou pelo menos atenuar, a situação: as normas sociais.

As normas sociais nada mais são do que convenções livremente elaboradas pelos povos e tacitamente aceitas porque são oriundas da própria consciência das pessoas que formam esse mesmo povo. As normas sociais são o povo. Governos que querem impôr normas sociais são governos totalitários. As normas sociais nascem dos costumes e da religião de um povo.

De todas as religiões ao longo da história humana, o Cristianismo é a que mais contribuiu e tem contribuído para pôr fim às misérias humanas. Com a sua concepção única da pessoa humana, filha de um Pai amoroso, e com o seu derradeiro e novo mandamento – “nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” – o Cristianismo fez e tem feito mais pela humanidade do que todos os governos juntos. Portanto, só a resposta pessoal dos cristãos à chamada de Cristo pode dar uma resposta concreta aos problemas do nosso tempo.

Talvez alguém critique como utópica a solução por meio da caridade cristã. Muito mais utópica, entretanto, é querer que governos – socialistas, comunistas, marxistas, vigaristas* – resolvam o problema.

Basta estudar história.

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* Chamo os marxistas de vigaristas porque eles não acreditam que exista uma verdade à qual todos devemos nos submeter. Quando alguém diz  “Não existe verdade”, eu pergunto: “E esta frase, é verdadeira?” Se não existe a verdade, é impossível até mesmo dizê-lo. Conclusão: quem não diz a verdade é mentiroso e, portanto, vigarista.

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