A morte de Fidel Castro gerou uma intensa onda de alegria na comunidade cubana nos EUA e repercutiu enormemente no Brasil, onde os anti-comunistas inundaram as mídias sociais com mensagens de gozação. Uma dizia: Lutou a vida inteira contra o capitalismo pra morrer na Black Friday; inúmeras outras faziam referência ao inferno, ao capeta e aos hóspedes dele – Marx, Lênin, Stálin, Mao Tse-Tung…; outras, ainda, preferiam os gentis tratamentos de assassino, genocida, psicopata, sociopata, ladrão, traficante e outros impublicáveis.

É compreensível essa reação por parte do povo, mas não podemos nos esquecer que o comunismo é mentiroso e desinformante por natureza. Fidel era o garoto-propaganda da revolução mas quem mandava mesmo – e continua mandando – é Raul Castro. Veja o que escreveu Ion Mihai Pacepa em 2006:

Em abril de 1971 eu visitei Cuba como membro de uma delegação do governo romeno para a celebração de dez anos pela vitória de Fidel Castro na Baía dos Porcos. Alguns dias depois da cerimônia, Raul Castro me convidou para ir pescar no mar em seu barco, junto com Sergio del Valle. (…) Lá, no barco, ficou claro para mim – mais claro do que nunca – que era Raul, não Fidel, quem empunhava as rédeas da diligência da revolução cubana.

Em 1972 eu preparei uma visita oficial de Ceausescu a Havana, e, durante ela, também fui o seu braço direito. Fidel era o testa de ferro, Raul o ajudante geral. A primeira dama cubana não era a esposa de Fidel, mas a de Raul. Elena Ceausescu empinou o nariz para ela, mas, no momento certo, as duas primeiras damas se entenderam esplendidamente. Tanto Elena quanto Vilma Espin Guilloys haviam abandonado os estudos, ambas fingiam ser químicas, ambas haviam obtido títulos de doutorado falsos, ambas eram do partido comunista antes dele ter chegado ao poder em seus países, ambas se tornaram membros do Conselho de Estado e ambas eram presidentes das organizações de Federação de Mulheres em seus países.

Durante a visita, os irmãos Castro e Ceausescu lançaram as bases para um negócio de drogas conjunto. Queriam afundar o mundo com drogas. “As drogas podem causar mais danos ao imperialismo do que armas nucleares”, pontificou Fidel. “As drogas erodirão o capitalismo por dentro”, concordou Raul. Jamais ouvi a palavra “dinheiro” ser pronunciada, mas eu já estava administrando o dinheiro que a Romênia estava fazendo com o seu próprio tráfico de drogas. Ia tudo para a conta bancária pessoal de Ceausescu. Em 1978, quando deixei a Romênia para sempre, aquela conta, chamada de AT-78, tinha um saldo de cerca de 400 milhões de dólares – a despeito dos desfalques substanciais feitos por Elena para comprar peles e jóias.

Em 2005, Fidel ficou furioso quando a Forbes Magazine estimou a sua fortuna em 500 milhões de dólares. Neste ano, a revista atualizou o valor para 900 milhões. Em vista da penúria cubana, esta quantia é certamente mais do que o suficiente para Raul subornar os seus camaradas políticos e comprar todos os novos aliados de que precisar.

Em 1973 eu tirei “férias de trabalho” em Havana. Raul me levou para conhecer uma instalação gigantesca, dedicada ao fabrico de maletas com fundo falso e outros dispositivos para o transporte secreto de armas e explosivos para fins terroristas. Na época, o DGI de Raul Castro estava trabalhando em tempo integral para expandir a influência política de Cuba pela América do Sul e pelo Terceiro Mundo. Particularmente, lutavam para consolidar o poder dos sandinistas na Nicarágua, para fomentar uma guerra sangrenta em El Salvador e para ajudar a MPLA (Movimento pela Libertação de Angola), movimento financiado por Cuba e União Soviética, com o objetivo de aumentar o poder deles em Angola. O DGI de Raul Castro e as suas forças armadas também tinham conselheiros e instrutores nas bases da Organização para a Libertação da Palestina e haviam estabelecido estreita colaboração com a Líbia, Iêmen do Sul e com a Frente Polisário para a Libertação do Saara Ocidental. Em meados dos anos 1970, o DIE – o meu departamento – operava juntamente com o DGI de Raul Castro para apoiar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), uma organização insurgente marxista anti-americana cuja missão era espalhar o comunismo pela América do Sul.

Em dezembro de 1974, Raul foi a Bucareste pedir apoio político e de inteligência para o seu novo DNL (National Liberation Directorate), grupo de inteligência/partido, cujo objetivo era  coordenar a guerrilha cubana e os campos de treinamento de terrorismo e fomentar o surgimento de movimentos de libertação nacionais e de governos anti-americanos como os da Nicarágua e Granada. Conseguiu ambos.

É claro que eu não tenho mais acesso a informações internas sobre a exportação do terrorismo e da revolução de Raul Castro, mas vi, em 2001, as suas FARC se responsabilizarem por 197 assassinatos na Colômbia. Em 11 de abril de 2002, as mesmas FARC sequestraram 13 legisladores colombianos de um edifício governamental em Cali e mantiveram a candidata a presidente Ingrid Betancourt em cativeiro. Em 13 de fevereiro de 2003, as FARC abateram um jato da CIA transportando equipamento eletrônico de inteligência no sul da Colômbia, fazendo reféns três oficiais da CIA. Agora, as FARC de Raul Castro estão procurando derrubar o governo pró-americano do presidente colombiano Álvaro Uribe, cujo pai foi assassinado pelas FARC em 1983. Também percebi que o presidente comunista da Venezuela, Hugo Chavez, adorador dos irmãos Castro, ameaçou parar de exportar petróleo para os EUA e pretende iniciar uma guerra convencional contra a sua vizinha Colômbia, a maior aliada dos EUA na região.

Ninguém, em Cuba e fora dela, sabe examente qual o estado de saúde – física ou política – de Fidel. Por lá talvez esteja acontecendo algo que Raul Castro aprendeu com os seus mestres da KGB. Leonid Brezhnev morreu no dia 10 de novembro de 1982, mas o chefe da KGB, Yury Andropov, conseguiu manter a morte oculta da população durante alguns dias e assim ganhou tempo para manobrar e se instalar no assento do condutor. Uma vez empossado no Kremlin, o cínico Andropov apressou-se em exibir uma imagem para o Ocidente de comunista “moderado”, um homem sensível, cordial, voltado para o Ocidente, apreciador de um drinque de scotch de vez em quando, leitor de romances ingleses e ouvinte de jazz americano e da música de Beethoven. Ele não era nada disso.

Raul também pode tentar se apresentar como um afetuoso anjo de paz. Mas a era de segredo de Andropov já se foi. Rezo para que as pessoas que conhecem Raul Castro tão bem como eu conhecia Ceausescu, venham a público despir o ditador cubano, permitindo ao mundo vê-lo nu, como verdadeiramente é: um assassino e terrorista internacional que fez fortuna com a venda ilegal de armas, drogas e seres humanos.

Por isso, a luta cubana continua, como continua a luta contra o comunismo em todo o mundo. Putin, na Rússia, está mais forte do que nunca; a China será o maior inimigo de Trump; aqui, PT e Foro de São Paulo sofreram duras derrotas mas a mentalidade comunista ainda persiste, logicamente, e vai demorar pelo menos uma geração para ser derrotada.

Ao contrário do que pensam as pessoas cuja fonte de informação é a mídia de massa – ela própria parte do movimento revolucionário -, o comunismo não morreu com o fim da União Soviética; ao contrário, se metamorfoseou para se fortalecer. Na verdade, ele é anterior à URSS. É um sistema de idéias e não um sistema econômico; por isso, é um erro contrapô-lo ao capitalismo, este sim um sistema econômico. O capitalismo sempre existiu nos regimes comunistas – existe hoje na Coréia do Norte e o próprio Fidel era um capitalista, dono de uma fortuna digna do ranking da Forbes.

O comunismo nasceu em oposição aos ensinamentos do Cristianismo; “seja o seu sim, sim; não, não” disse Cristo. E, sobre as bases do pensamento cristão, foi edificada a civilização ocidental. O comunismo chegou para arrebentar tudo isso. Marx, o ‘fundador’ do comunismo, escreveu que não existe essa coisa de verdade. É muito engraçado esse raciocínio circular: “Nâo existe a verdade!”. Não? E esta frase, é verdadeira? Se não existe a verdade, eu não consigo nem mesmo dizê-lo. Não por acaso todos os marxistas piram.

O comunismo é mentiroso, como Fidel era mentiroso. Aliás, algumas pessoas chegam a afirmar que ele sequer era cubano – dizem que era brasileiro…

Era só o que faltava!

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