Entrando num povoado, Jesus foi parar na casa de Marta, Maria e Lázaro. Logo juntou gente e o encontro virou um acontecimento. Nessas ocasiões, no Oriente, o ajuntamento sempre tinha muita alegria e falatório. Certamente, comida e bebida, música e dança. Jesus Cristo, a alegria em pessoa, era o centro da festa. Maria, admirada, saboreava cada momento da passagem de Deus na terra dos homens.

Marta, por seu lado, procurava servir a todos e logo se enfezou que a irmã não a ajudava. Sem cerimônias, e com a familiaridade da amizade, meteu bronca:

– Eu aqui me matando e minha irmã aí à toa? Isso é justo, Jesus?

Jesus respondeu:

– Você prioriza muitas coisas em detrimento de Mim. Maria escolheu a melhor parte, que não será tirada dela.

Tirada quando?

Quando morrermos, lógico. O que levaremos para a eternidade será o amor a Deus e tudo o que tivermos feito por Ele.

Para desanuviar o ambiente, Jesus contou uma parábola-piada.

Um jovem muito bom, quase um santo, recebeu um aviso da Morte:

– No dia tal venho buscar você. Eu não costumo avisar ninguém mas no seu caso fiz uma exceção porque você é uma pessoa muito boa. Prepare-se!

O jovem – que se chamava Zé – pensou: “E agora, o que eu faço, que eu não queria morrer?”

E traçou um plano.

No dia aprazado, ele se disfarçou e ficou parecendo um velhinho. Foi para uma festa onde, escondido na multidão, certamente não seria encontrado pela famigerada. Eis que estava lá, bem sossegado, quando a danada chegou.

A Morte passava por entre as pessoas procurando Zé. Olhava, olhava e não o encontrava. Parou bem ao lado dele mas não o reconheceu. Olhou bem para ele e nada!

Finalmente, disse:

– Meu bom velhinho, hoje eu vim buscar o Zé. Mas como não estou encontrando, para não perder a viagem, vou levar o senhor que já está no fim da vida!

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