Quando Lúcia anunciou a aproximação de Nossa Senhora, a multidão de mais de mil pessoas caiu no mais profundo silêncio.

Lúcia, mais uma vez, perguntou:

– Vossemecê que me quer?

– Quero que voltem aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o terço todos os dias em honra de Nossa Senhora do Rosário para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer – respondeu a Virgem.

– Queria pedir-Lhe para nos dizer quem é, e para fazer um milagre para que todos acreditem que Vossemecê nos aparece.

– Continuem a vir aqui todos os meses. Em Outubro direi quem sou e o que quero. E farei um milagre que todos hão de ver para acreditarem.

Lúcia e Maria conversam sobre vários pedidos do povo. A Virgem enfatiza novamente a necessidade do sacrifício e confia aos pastorinhos o famoso segredo em três partes.

– Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Lúcia: “Ao dizer estas palavras, abriu de novo as mãos como nos dois meses anteriores. O reflexo que elas expediam pareceu penetrar a terra e vimos como que um mar de fogo e mergulhados nesse fogo os demônios e as almas como se fôssem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados – assim como o cair das fagulhas nos grandes incêndios – sem peso nem equilibrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizavam e faziam estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa.”

Lúcia soltou então um suspiro, quase um grito, impressionando vivamente a multidão. O rosto, transtornado, tornou-se quase cadavérico. As três crianças assustadas olharam para Maria como a pedir socorro.

– Vistes o inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para os salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, continuará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo dos seus crimes por meio da guerra, da fome e da perseguição à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem ao meu pedido, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições: os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas: por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal, conserva-se-á sempre o Dogma da Fé. Isso não o digais a ninguém. A Francisco, sim podeis dizê-lo.

Frente às coisas terríveis que viram e ouviram, as crianças ficaram sem palavras, quase sem sentidos.

– Vossemecê não me quer mais nada?

– Não, hoje não te quero mais nada.

Ouviu-se então uma espécie de trovão para indicar o fim da aparição.

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Relato extraído do livro Era uma Senhora mais brilhante que o sol, do Padre João M. de Marchi.

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