O brasileiro pode ser criticado por muita coisa menos por falta de criatividade.

“Honestidade” era o nome de um grupo do WhatsApp usado por alguns muitos alunos da Poli para colar. O golpe foi descoberto por um professor na semana passada, durante a prova de Cálculo I. Professor, aluno, prova, celular – foi tudo parar na delegacia.

Com episódios desse tipo, dá para entender por que o Brasil está ladeira abaixo. As empreiteiras envolvidas no Petrolão são majoritariamente comandadas por engenheiros. Esses espertinhos da Poli certamente não são exceção em um país onde a mentira e o fingimento se tornaram regra.

O professor finge que ensina e o aluno finge que aprende. O governo finge que paga e os servidores fingem que trabalham. As empresas… É melhor eu parar por aqui antes de ganhar um belo processo nas costas. Mas você sabe a que eu estou me referindo. No dia a dia, você sente na pele como as grandes corporações inventam todo o tipo de estratagema para tirar o seu dinheiro. A safadeza é tanta que não temos pra onde correr. Na verdade, a gente acaba por ter que escolher o ladrão que vai nos roubar, não é mesmo?

Muitos brasileiros criticam os políticos mão leve mas tentam enganar o balconista no troco. Criticam a corrupção mas compram celular roubado. Criticam a indústria da multa mas param em guia rebaixada. Criticam o patrão mas enrolam o serviço. Mas há casos piores. Os que acham que é normal roubar. Você já deve ter ouvido “Todo mundo faz isso. Se eu estivesse lá roubava também.” e outras pérolas parecidas.

Agora, a mentira chegou à elite da formação universitária. A engenharia, cuja missão é buscar a verdade, está vivendo da mentira. Por essas e por outras, nada funciona no nosso país.

O episódio lembra a piada de um grupo de professores de engenharia embarcado em um avião que, antes da decolagem, receberam o aviso de que a aeronave havia sido projetada e construída pelos alunos deles. Ante o corre-corre geral, apenas um professor ficou calmamente sentado, esperando o fim da confusão. Indagado, o mestre replicou didaticamente:

– Se foram mesmo eles os projetistas e construtores, esta porcaria não vai nem ligar o motor.

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