– Jacinta, lá vem Nossa Senhora, que já deu o relâmpago!

Com esta frase urgente, Lúcia avisava a prima que a aparição prometida um mês antes estava prestes a acontecer. Um mês de espera, um mês de incompreensões, um mês de deboches, um mês de sofrimentos.

– Vossemecê mandou-me aqui vir, faz favor de dizer o que quer.

– Quero que venhais aqui no dia treze do mês que vem, e que rezeis o terço intercalando entre os Mistérios a jaculatória: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, especialmente as que mais precisarem.

– Quero que aprendais a ler e depois direi mais o que quero.

Lúcia pediu a cura de um docente. A Senhora respondeu que, se se convertesse, seria curado durante o ano.

– Queria pedir-Lhe para nos levar para o Céu.

– Sim, à Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-Se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração.

– Fico cá sozinha?

– Não, filha. E tu sofres muito com isso? Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.

A Virgem abriu as mãos e, pela segunda vez, comunicou às crianças o reflexo da luz imensa que A envolvia. As crianças se viram como que submergidos em Deus. Jacinta e Francisco pareciam estar na parte que se elevava para o Céu e Lúcia na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Maria estava um Coração cercado de espinhos que nele se cravavam. Era o Coração Imaculado de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação.

E assim terminou a segunda aparição. As cinquenta pessoas que a testemunharam relataram que ouviam um zumbido quando Maria falava com Lúcia. A arvorezinha sobre a qual ficou Nossa Senhora estava com os rebentos superiores, antes de pé, voltados para o nascente, como se tivessem sido pisados.

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