Logo após a partida final da Copa do Mundo de 2014, ainda em campo, o jogador alemão Bastian Schweinsteiger comentou:

– O brasileiro está sempre alegre.

A sagacidade de Schweinsteiger permitiu que ele captasse a melhor característica do povo brasileiro. Mas o que ele não sabe – e, aliás, nem poderia saber já que a maior parte dos brasileiros também não sabe – é a causa da nossa alegria sem fim.

A nossa nação nasceu no dia 19 de abril de 1648. Naquele dia, portugueses, índios e negros se uniram para expulsar o invasor holandês. Foi a Primeira Batalha de Guararapes – uma guerra religiosa, católicos contra protestantes. A colonização brasileira foi feita na base da religião, ao contrário, por exemplo, da colonização dos EUA, baseada na raça. Aqui, pessoas de qualquer procedência e cor e raça eram imediatamente aceitas tão logo se convertessem ao Catolicismo. É bem verdade que a maior parte dos católicos brasileiros de hoje não está mais a fim de lutar e exatamente por isso o povo brasileiro está perdendo a alegria, mas essa é outra história. Nossa Senhora das Sete Alegrias – ou Nossa Senhora dos Prazeres – tomou parte naquela batalha.

A devoção a Nossa Senhora das Sete Alegrias nasceu em Portugal, no século XVI. Veio para o Brasil a bordo das caravelas portuguesas. Como diz o verso: “a caravela portuguesa não era movida pela força do vento na vela mas pela cruz gravada nela”.

As sete alegrias foram elencadas por um frade franciscano:

1 – A Anunciação

2 – A Saudação de Isabel

3 – O Nascimento de Jesus

4 – A Visitação dos Reis Magos

5 – O Reencontro de Maria com Jesus Perdido no Templo

6 – A Primeira Aparição do Cristo Ressuscitado

7 – A Coração de Maria Santíssima

Assim nasceu a nação brasileira, assim nasceu o povo brasileiro – das alegrias de Maria. Assim canta a música: “Brasileiros irmanados, sem senhores, sem senzala. E a Senhora dos Prazeres transformando pedra em bala”.

Pena que Schweinsteiger não conheça essa história. Se conhecesse, talvez se tornasse um devoto de Maria e seria tão feliz como nós quando descobrisse qual é a causa nostrae laetitiae.

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