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Blog 13maio1917: Como você avalia a morte, dias atrás, de um lutador português de MMA devido a ferimentos sofridos em uma luta na Irlanda?

Corisco: Não é a primeira vez que isso acontece. Em alguns estados dos EUA esse esporte é proibido. Os fãs do MMA têm uma visão distorcida da natureza humana. Por exemplo, comentam a capacidade de um lutador de aguentar pancada. Mas o corpo humano não foi feito para aguentar pancada. Por isso, raramente as pessoas praticam MMA durante muito tempo; elas logo desistem ou se acidentam gravemente. Por outro lado, os alunos de karatê, judô ou aikidô, cuja proposta é de longo prazo, muitas vezes começam a praticar na infância e vão até a velhice, desde que orientados por um bom professor. O objetivo destas artes marciais tradicionais é o auto-domínio mental e físico, fator que incentiva a prática contínua e conduz a resultados positivos como maior disciplina, melhor convívio social e boa saúde.

13maio1917: Por que o MMA atrai tantos telespectadores?

Corisco: Infelizmente, vivemos em uma sociedade consumista e sem ideais de vida. Não só o MMA mas também as lutas de cachorros e a farra do boi têm muitos fãs. Tudo isso mostra a loucura da nossa época, potencializada pela comunicação de massa. O consumismo decorre do materialismo, que é a falta de uma verdade para preencher a vida. As pessoas viram coisas. Quando a espiritualidade é deixada de lado, isso é inevitável. Numa rinha de cachorro, por exemplo, os bichos, antes da luta, demonstram medo enquanto os espectadores vibram com a situação; chegamos ao ponto em que o ser humano se coloca abaixo dos animais.

13maio1917: O objetivo do MMA e das artes marciais tradicionais não é o mesmo, ou seja, neutralizar o adversário?

Corisco: Não, os objetivos são opostos. Nas artes marciais tradicionais, o aluno aprende a cuidar da integridade do oponente porque só quem preserva a integridade física do outro consegue se defender bem. A arte marcial sempre pregou o domínio da situação; o que deturpou esse princípio foi o atual caráter competitivo das artes maciais, que obriga a escolher um vencedor. O artista marcial não busca competir, busca o auto-domínio porque sabe que o seu maior inimigo é ele mesmo. Veja o exemplo de Myamoto Musashi, o maior espadachim de todos os tempos. No fim da vida, ele lamentava ter matado tanta gente; a perfeição que ele tanto buscava teria sido exatamente o oposto, teria sido não ter matado desnecessariamente. Os grandes mestres sempre ensinam: jamais ataque dominado pela ira porque a ira é imobilizante.

13maio1917: Se você pudesse falar a um praticante ou fã do MMA, o que diria?

Corisco: Vire essa página da sua vida: esqueça isso de uma vez para sempre. Tome uma atitude radical de mudança de vida. O MMA influencia negativamente todo o comportamento da pessoa e não traz um condicionamento físico bom. Não veja as lutas nem as comente com os amigos. Em vez disso, procure um bom professor de arte marcial. Você pode reconhecer um bom profissional por 3 critérios: 1) analisando a vida pessoal dele, 2) procurando saber se ele teve um bom mestre e 3) descobrindo o motivo que o levou a praticar e ensinar. Veja também se há donas de casa e membros de uma mesma família participando dos treinos. Mas já aviso que não é fácil conseguir um bom professor porque infelizmente a tradição vem se perdendo no mundo inteiro.

13maio1917: Por que motivo isso acontece?

Corisco: A tradição das artes marciais tem decaído pelo mesmo motivo que todas as artes estão em declínio: pelo avanço do marxismo. O marxismo é uma filosofia destrutiva. Analise, por exemplo, a música de Chico Buarque. É uma música que sempre promoveu o malandro – exatamente o contrário do que é um artista marcial. Dia desses, ele declarou: “Se o impeachment passar, vou me mudar para Paris”. Para Paris? O berço do Ocidente e da Cristandade? Se ele fôsse coerente com a sua ideologia comunista, se mudaria para a Coreia do Norte para ver o que é bom. Nem comida tem lá!

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José Alberto de Siqueira Campos, Corisco, é professor de karatê desde 1979. É fundador da Pináculo – Escola Brasileira de Karatê-dô – e da editora Molokai.

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